Cidade dos Sonhos

Uma mulher sob influência

Nos sonhos, o indivíduo pode criar ou relembrar histórias da maneira que desejar. Pode parar no meio de uma e partir para a outra. Desperto, se pudesse rever o que passou em sua cabeça quando estava de olhos fechados, teria uma surpresa. David Lynch, conhecido pelas subversões narrativas, tenta emular esse cenário, mesmo não afirmando que seus personagens estejam dormindo.

Laura Dern faz uma atriz que planeja recuperar da fama que um dia teve. Consegue o papel num filme que na verdade é um remake. Curiosamente, o original nunca foi terminado, pois os atores morreram misteriosamente.

A imersão é imediata. Mesmo num simples teste, na frente do diretor, a atriz chora com grande intensidade. Mas a experiência só está começando. Quando o desconhecido toma conta da tela, personagens adquirem novas funções. Até determinado momento, Nikki (Dern) parece estar presa a uma série de ambientes fechados, dentro do estúdio ou de casas.

Um pouco antes, a visita inesperada de uma estranha vizinha (Zabriskie) já prenunciava o perigo. Paralelamente, uma jovem chorosa assiste a uma sitcom com ares tenebrosos, composto por humanos fantasiados de coelhos. Sua parte será retomada posteriormente (assim como outros elementos), pois o que importa é Dern.

A parceira que há muito tempo não trabalhava com Lynch alterna entre bons (o choro e o relato a um interrogador silencioso) e maus momentos (a repetida e irritante cara de surpresa, com a boca aberta).

Por mais que muita coisa não faça sentido, Império dos Sonhos deve ser visto como uma obra sensorial. Os closes que a câmera – digital – faz nos atores ora desconfortam a plateia, ora desconfortam os próprios personagens. Há certa relação com Cidade dos Sonhos (Laura Harring faz uma ponta), tratando da relação de Hollywood com as pessoas comuns e as estrelas.

Nesse sonho em que ninguém sabe se está acordado ou se questiona a respeito do que vê, a procura é por novos caminhos. Se eles são bons ou ruins, não fica a critério dos personagens. É ficar atento às imagens sem esperar explicações. Se existirem, elas surgirão, uma hora ou outra.

(Inland Empire,   , 2006) Dirigido por David Lynch. Com: Laura Dern, Jeremy Irons, Justin Theroux, Karolina Gruszka, Grace Zabriskie.

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Oscar 2012 – indicados, premiados e links

Todos já estão cansados de saber (ou já esqueceram) dos nomes que passaram no tapete vermelho do Oscar, este ano. A lista abaixo, incluindo os vencedores, em negrito, serve mais como referência para meus textos sobre os indicados.
Obs: não incluí as três categorias de curta-metragem.

FILME
O Artista | Os Descendentes | Tão Forte e Tão Perto | Histórias Cruzadas | A Invenção de Hugo Cabret | Meia-Noite em Paris | O Homem que Mudou o Jogo | A Árvore da Vida | Cavalo de Guerra

ATOR
Demián Bichir, por Uma Vida Melhor
George Clooney, por Os Descendentes
Jean Dujardin, por O Artista
Gary Oldman, por O Espião que Sabia Demais
Brad Pitt, por O Homem que Mudou o Jogo

ATRIZ
Glenn Close, por Albert Nobbs
Viola Davis, por Histórias Cruzadas
Rooney Mara, por Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep, por A Dama de Ferro
Michelle Williams, por Sete Dias com Marilyn

ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh, por Sete Dias com Marilyn
Jonah Hill, por O Homem que Mudou o Jogo
Nick Nolte, por Guerreiro
Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor
Max von Sydow, Tão Forte e Tão Perto

ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo, por O Artista
Jessica Chastain, por Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy, por Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer, por Albert Nobbs
Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas

DIREÇÃO
Michel Hazanavicius, por O Artista
Alexander Payne, por Os Descendentes
Martin Scorsese, por A Invenção de Hugo Cabret
Woody Allen, por Meia-Noite em Paris
Terrence Malick, por A Árvore da Vida

ROTEIRO ADAPTADO
Os DescendentesA Invenção de Hugo Cabret | Tudo Pelo PoderO Homem que Mudou o Jogo | O Espião que Sabia Demais

ROTEIRO ORIGINAL
O Artista Missão Madrinha de Casamento | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Meia-Noite em Paris | A Separação

FILME ESTRANGEIRO
Bullhead | Monsieur Lazhar | A Separação | Footnote | In Darkness

ANIMAÇÃO
Um Gato em Paris | Chico e Rita | Kung Fu Panda 2 | Gato de Botas | Rango

DOCUMENTÁRIO
Hell and Back Again | If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front | Paradise Lost 3: Purgatory | Pina | Undefeated

TRILHA SONORA ORIGINAL
As Aventuras de Tintim O ArtistaA Invenção de Hugo CabretO Espião que Sabia Demais | Cavalo de Guerra

CANÇÃO ORIGINAL
“Man or Muppet”, em Os Muppets
“Real in Rio”, em Rio

MONTAGEM
O ArtistaOs DescendentesMillennium: Os Homens que Não Amavam as MulheresA Invenção de Hugo Cabret | O Homem que Mudou o Jogo

EFEITOS VISUAIS
Harry Potter e as Relíquias da Morte, parte 2 | A Invenção de Hugo Cabret | Gigantes de Aço | Planeta dos Macacos: A Origem | Transformers: O Lado Oculto da Lua

MAQUIAGEM
Albert NobbsHarry Potter e as Relíquias da Morte, parte 2 | A Dama de Ferro

FOTOGRAFIA
O ArtistaMillennium: Os Homens que Não Amavam as MulheresA Invenção de Hugo CabretA Árvore da Vida | Cavalo de Guerra

FIGURINO
Anônimo | O ArtistaA Invenção de Hugo Cabret | Jane Eyre | W.E. – O Romance do Século

DIREÇÃO DE ARTE
O ArtistaHarry Potter e as Relíquias da Morte, parte 2 | A Invenção de Hugo CabretMeia-Noite em Paris | Cavalo de Guerra

EDIÇÃO DE SOM
DriveMillennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | A Invenção de Hugo CabretTransformers: O Lado Oculto da Lua | Cavalo de Guerra

MIXAGEM DE SOM
Millennium: Os Homens que Não Amavam as MulheresA Invenção de Hugo CabretO Homem que Mudou o JogoTransformers: O Lado Oculto da Lua | Cavalo de Guerra

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Monsieur Lazhar

Educar e aprender

No Canadá francófono, estudantes do ensino básico confundem a Argélia com a Arábia Saudita. Uma trivialidade perto do regulamento, que proíbe o corpo docente de usar qualquer tipo de violência – nem um tapa – para puni-los, além de qualquer outro contato físico, como um simples abraço.

Uma professora da escola de Quebec cometeu suicídio, enforcando-se na sala de aula vazia. Todos ficam chocados. O argelino Bachir Lazhar (Fellag) candidata-se e consegue o emprego deixado vago. Ele também tem um luto como fardo, mas não o exibe para os outros.

A crítica ao sistema educacional é óbvia em Monsieur Lazhar. O incidente com a professora mostra como os alunos estão longe do contato humano, até quando uma psicóloga os visita, expulsando o professor da sala. Alice (Nélisse), uma das alunas, tem uma mãe que trabalha no serviço aéreo e está sempre viajando; é uma representação razoável do que está acontecendo.

Os profissionais ali presentes preferem simplesmente afastar as crianças do acontecido. O forasteiro Lazhar, de cultura diferente, tem como ponto o confrontamento com o problema. É repelido, mas não desiste. Enquanto isso, dois alunos que viram a imagem da enforcada, pelo vidro da porta, parecem se aproximar. Contudo, a instrução de guardar a lembrança para esquecer faz o contrário, causando pesadelos e brigas.

O personagem-título tem uma trama paralela que mais define sua função no filme do que um problema que necessite da empatia do espectador. O melhor momento dele é quando está sozinho, podendo observar o ambiente escolar, de objetos ao trabalho outros orientadores.

A cortesia domina a película por parte dos adultos. O excesso de diálogos com cumprimentos e agradecimentos deixa o roteiro repetitivo e entediante. Em outra vertente, a instrução sobre a falta de contato encontra seu extremo oposto na confissão de professores sobre o castigo físico que eles gostariam de aplicar. É um problema querendo ficar por cima do outro.

Monsieur Lazhar é a história em que a solução – o professor – chega na hora certa, mas que encontra obstáculos para se mostrar a todos. O último plano soa um tanto óbvio, mas é eficiente, fechando com chave de ouro o assunto que queria tratar.

(Monsieur Lazhar, , 2011) Dirigido por Philippe Falardeau. Com: Fellag, Sophie Nélisse, Émilien Néron, Danielle Proulx.

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