Carne estragada
Antes do psicopata Hannibal Lecter, imortalizado cinematograficamente por Anthony Hopkins, existia um inocente menino, que sofreu um trauma e foi corrompido. O caminho deste até a fase adulta está no prequel Hannibal – A Origem do Mal.
Natural da Lituânia, o personagem teve o azar de nascer no meio da Segunda Guerra Mundial. No fim do conflito, perdeu toda a família, fracassando especialmente na defesa da irmãzinha, a última sobrevivente. Ela foi devorada por um grupo de soldados na casa de campo dos Lecter.
A saga do futuro canibal envolve viagens e aprendizados que ajudam a construir sua personalidade. Mas é tudo artificial. Até a cena em que defende Lady Murasaki (Li), uma tia que o abriga na França, de um açougueiro, ele é apenas conduzido pelos acontecimentos. O intérprete, Gaspard Ulliel, ajuda a piorar o quadro. Em um momento, está tímido; em outro, frio e decidido a buscar os soldados que habitam seus pesadelos. Sim, a narrativa não passa de uma busca por vingança. Há cenas violentas, mas a maioria fica longe das lentes da câmera.
O ato contra Mischa Lecter se deu pela sobrevivência dos esfomeados, e os soldados admitem isso. O roteiro, contudo, manipula o entendimento para criar verdadeiros vilões. Passados alguns anos, a maioria dos antagonistas está envolvida com tráfico de mulheres.
No lado dos “bons”, Lady Murasaki flerta inapropriadamente com o hóspede desde a primeira cena, fazendo a função de mocinha em perigo quando convém. Gong Li é monocórdica. Dominic West faz um inspetor que deveria caçar Lecter. Sempre perto dos flagrantes e com algumas ameaças na manga, na verdade, representa pouco perigo.
Se for pra considerar Hannibal – A Origem do Mal uma explicação para o que foi o personagem conhecido em O Silêncio dos Inocentes, fica-se somente com o simplismo. Uma figura tão complexa quanto Lecter merecia melhor abordagem; não uma desculpa para a realização de mais um filme.
(Hannibal Rising,
, 2007) Dirigido por Peter Webber. Com: Gaspar Ulliel, Gong Li, Dominic West, Rhys Ifans. 
