Sorte no jogo, azar no amor
Dois adolescentes de Porto Alegre, Chico (Arteche) e Juca (Furtado), passam férias em uma praia gaúcha. Querem conhecer garotas solteiras e, consequentemente, transar com elas. A coragem com que se atiram é admirável e a ingenuidade dá o tom a este Houve uma Vez Dois Verões.
Chico conhece Roza (Mainieri, que lembra muito Maria Flor) numa casa de jogos eletrônicos. Convida-a pra comer churro e, perto do mar, perde a virgindade. No dia seguinte, ela some, mas, em pouco tempo reaparece, com a notícia de que está grávida. Opta pelo aborto e pede ajuda para pagar parte dos dois mil reais do procedimento. O garoto vende algumas coisas, entrega o dinheiro e fica sem notícias da futura ex-mãe. Foi vítima de um golpe.
A história de amor de verão é batida, mas o foco inicial é logo abandonado. O que não instiga é o caminho até a confirmação da mentira de Roza. Mas o rumo muda novamente. Chico parte em busca da garota que gosta. O encontro acontece e as perguntas mais dolorosas são feitas. Só que o personagem continua desejando-a, mesmo que tenha de ser enganado de novo.
A possibilidade de sexo fala alto. É a única motivação, confundida com amor da parte do adolescente. O problema é quando ela, posteriormente, fala que o ama. É bom pra gerar desconfiança, mas se a afirmação for verídica, sentimentalmente não cola. Falta maior química entre os atores.
Jorge Furtado constrói um cenário envolvente – a casa de jogos -, deixando o espectador lamentando por não ficar mais tempo nele. Algumas ingênuas piadas são bem-vindas, como a buraco na areia, mas outras são forçadas, como a confusão no apartamento. O final feliz, apesar de não ser tão necessário, tem uma boa sacada boa uma notícia muito repercutida pela mídia.
Tolo na superfície, Houve uma Vez Dois Verões destaca-se na insistência de um caso aparentemente perdido. Não mais esperto que o amigo, Chico tem uma vantagem, desejando estendê-la por quanto tempo puder.
(Houve uma Vez Dois Verões,
, 2002) Dirigido por Jorge Furtado. Com: André Arteche, Ana Maria Mainieri, Pedro Furtado. ![]()
