Matei Jesse James

Tiro nas costas

O primeiro filme de Samuel Fuller, Matei Jesse James, apesar do título, não conta o final e nem revela precocemente o personagem principal. James (Hadley) foi um famoso bandido de sua época, procurado pela polícia em vários Estados norte-americanos. Tem uma casa, com esposa. Do pouco que é retratado, se sobressai no aspecto familiar.

Os jornais têm grande importância no início. Suas notícias substituem ações, enxugando a narrativa. Numa delas, um prefeito anuncia recompensa e anistia, caso seja bandido, ao sujeito que capturar Jesse James.

Robert Ford (Ireland) é o fiel escudeiro do procurado. Quer se casar com a amada Cynthy Waters (Britton), uma atriz de teatro. A condição é largar a vida de fora-da-lei. Assim, prefere matar o amigo. Consegue limpar seu nome na justiça, mas o suja na sociedade. São regras invisíveis, que vem à tona. Ele recebe os títulos de covarde e traidor. Até tentam matá-lo, esperando ganhar fama. Ford está amaldiçoado também porque executou um homem desarmado, pelas costas.

A narrativa principal começa agora. Ford não consegue virar um lavrador, como queria. Cynthy passa a temê-lo e, consequentemente, perder seu amor. Essa mudança é exposta com dificuldade, sendo carregada até o fim. Nisso, o rico minerador John Kelley (Foster) ganha espaço. Ele queria algo mais com Cynthy, mas acaba tendo outro papel na relação entre ela e Ford.

Matei Jesse James tem alguns elementos clássicos do western, como a briga no bar e o confronto a tantos passos, no meio da rua. A primeira parte, com Jesse dando brechas para ser morto, adquire um tom de humor involuntário. Kelley é um tipo ambíguo, que ora exibe confiança na conquista da mocinha, ora sai de cena sem cerimônia.

A resolução de dois conflitos – o sumiço de um anel e a exploração de prata – se dá paralelamente, mas os tempos são inapropriados. Ou o suposto ladrão demora a desfazer o mal-entendido ou o novo rico encontra o minério e faz dele seu patrimônio muito rapidamente.

Bom drama sobre as consequências de uma escolha e a solidão, mesmo que haja ilusão pelo contrário, Matei Jesse James é mais um entre vários longas que retrata James e Ford. Este tem o privilégio de ter a grife do homem que seria um grande diretor, não fazendo feio.

(I Shot Jesse James, , 1949) Dirigido por Samuel Fuller. Com: John Ireland, Preston Foster, Reed Hadley, Barbara Britton.

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