Primeiros passos
Guerra Fria, crise dos mísseis cubanos: numa realidade alternativa, os mutantes desempenharam funções de protagonistas, mas, à vista, eram figurantes. Naquela época, os seres com superpoderes ainda eram desconhecidos.
A inserção da ficção na realidade pode ser sedutora, mas a abordagem central, dos mutantes sendo usados como objetos e sofrendo preconceito é repetitiva. O prequel, como o nome diz, ajuda a ligar a origem de importantes personagens ao que se conhece da trilogia original. Charles Xavier (McAvoy) é um bon vivant bem intencionado, enquanto Erik Lehnsherr (Fassbender) foi um sobrevivente do terror nazista.
Do lado conciliador, Charles encontra, na infância, inexplicavelmente em sua cozinha, a garota que viria a se chamar Mística (Lawrence). Nasce uma amizade entre os dois, e é interessante ver a evolução dela, além do foco em alguém que só era conhecida pelo instigante poder de se transformar em outra pessoa.
Poder é importante, mas é o que resume unicamente os demais mutantes que participam da primeira classe. Os roteiristas até tentam desenvolver pequenos conflitos, mas esse grupo, do rapaz que solta discos luminosos ao que voa com o próprio grito, configura-se como mero acessório. Nem Hank McCoy, o cientista superinteligente com pés grandes, se salva: seu intelecto não ajuda na resolução de um grande dilema.
Erik, por sua vez, é vingativo e, quando conhece Charles, obtém grande ajuda no controle de seus poderes. Mas seus ideais permanecem intactos. Nas reuniões com o grupo, mantém-se um passo longe dos outros. Essa é uma pista para o seu já sabido desfecho.
O verdadeiro vilão é interpretado por Kevin Bacon. Ele faz o nazista que matou a mãe de Eric e, convenientemente, possui poderes. Assemelha-se muito com o Magneto, no auge. Sua intervenção na guerra entre norte-americanos e soviéticos é perspicaz, mas não passa da velha história de dominação mundial.
O filme ainda conta com duas ótimas atrizes – January Jones e Rose Byrne – que, infelizmente, são subutilizadas. Uma demonstra que todo o grupo precisa ter um telepata, enquanto a outra é uma simples humana com uma terrível ação, que amarra perfeitamente um nó da narrativa.
James McAvoy e Michael Fassbender formam uma ótima dupla, fazendo o filme o que ele é. O título deveria conter apenas os nomes de seus personagens. Claro que as toneladas de efeitos especiais também não podem ser descartadas no que concerne, em especial, aos atos do homem que controla o metal.
X-Men: Primeira Classe é um blockbuster bem feito, tão divertido quanto os anteriores. Mas poderia ter coadjuvantes mais interessantes nessa peculiar relação com acontecimentos históricos tão importantes.
(X-Men: First Class,
, 2011) Dirigido por Matthew Vaughn. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence. 
