Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

millennium-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheresRelatos de um desaparecimento

No frio sueco, de lugares com nomes estranhos, um desaparecimento teorizado como assassinato mexe com as memórias de uma família, há décadas. Mikael (Craig), um jornalista da capital, despedaçado por uma grande corporação, é convidado a desvendar esse mistério e, talvez, ter sua vida de volta. Paralelamente, uma garota antissocial, Lisbeth (Mara), exótica e ameaçadora, luta para parecer normal ao Estado que lhe sustenta.

A investigação é custeada pelo empresário Henrik Vanger (Plummer), que teve Harriet, uma herdeira de seu império, desaparecida numa ilha do norte, em um encontro familiar nos anos 1960. O detalhe é que foi feita uma grande busca, e ela não poderia ter fugido, pois um acidente bloqueava a única saída do local, no dia. O quebra-cabeça é complexo, possuindo muitas informações, que certamente o espectador não guardará completamente.

Entrevistando os Vanger, que se espalham em diversas casas de uma fria região do norte do país, o jornalista vai montando seu caso. A atmosfera é claustrofóbica (não há sinal para celular) e os personagens são inquietantes. Na primeira hora, uma dupla narrativa acompanha as figuras citadas no parágrafo anterior sem envolvê-las diretamente. A única pista é que Lisbeth, expert em computadores, vasculhou a vida de Mikael para alguém.

A trama de Lisbeth, de longe, é a mais interessante. Até o encontro das fotografias, o trabalho de Mikael é algumas vezes entediante. De repente, este sente a necessidade de uma assistente, que é indicada pelo empregador. Depois de alguns problemas pessoais de forte teor resolvidos, acompanhados anteriormente pelo espectador, a esquisita garota encontra o jornalista. Algumas tarefas bem chatas são delegadas a ela, que tira de letra.

Num mundo ideal, Lisbeth poderia cuidar facilmente de tudo. Mas ela é tão fria que falharia na entrevista de suspeitos e/ou testemunhas. É aí que Mikael entra. A dupla funciona tão bem que fornece um gás novo ao filme. Ela começa a confiar nele, nascendo uma interessante relação.

Muitos diálogos no processo investigativo são perspicazes. O sarcasmo de Henrik, ao se perceber como suspeito, e as reflexões do criminoso acerca das circunstâncias, envolvendo o medo de ofender e o perigo pré-anunciado no confronto decisivo, são dois ótimos exemplos.

A direção de arte arranja ótimas locações que refletem, ou não, os moradores (a casa poeirenta senhor abandonado que não pode descer as escadas ou a moderna, em matéria de arquitetura, de vidros transparentes ao redor, sugerindo que não há segredo algum). Os técnicos de som também fazem um excelente trabalho, em especial na composição do suspense neste último imóvel, através da ventania externa.

Pena que Millennium: O Homem Que Não Amava as Mulheres sabota a melhor personagem do filme, Lisbeth, ao desenvolver uma trama adicional nos quinze minutos finais. As habilidades que ela demonstra neste período poderiam evitar todo o trauma vivido na primeira hora. A figura aparentemente indefesa de outrora se transforma em alguém que só poderia existir na ficção.

O diretor David Fincher retorna a um tipo de investigação policial visto em outros dois conhecidos trabalhos de sua filmografia. Adapta um livro de sucesso de uma série que virou franquia na terra natal do autor sueco Stieg Larsson. Fez um bom trabalho, mas que poderia ser mais curto, dando um espaço resumido aos seus instigantes personagens.

(The Girl with the Dragon Tattoo,   , 2011) Dirigido por David Fincher. Com: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Robin Wright, Joely Richardson, Goran Visnjic.

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