Jack Reacher: O Último Tiro

jack-reacher-o-ultimo-tiroAcúmulo de erros

Um herói infalível surge do nada para investigar o caso de múltiplos assassinatos por um atirador de elite, que alvejou civis numa via pública. O nômade Jack Reacher (Cruise) é preocupado em não deixar rastros, consegue lidar com cinco caras comuns e só pega em armas em último caso. Faz as mulheres suspirarem, o que serve para determinadas cenas, mas o tom é acima do normal.

Na contramão, a trama policial e conspiratória de Jack Reacher: O Último Tiro precisa de erros, muitos erros, para andar. Os verdadeiros vilões, que armam todo um esquema para culpar um ex-militar inocente, começam a ser desmascarados pouco a pouco. O protagonista é perspicaz em deduzir e chegar a locais importantes, mas as pistas encontradas revelam certa ingenuidade da outra parte. Até Reacher comete o engano – perdoável – de culpar o acusado James Barr (Sikora) pelo histórico dele. Contudo, as evidências surgem e ele muda de ideia.

O roteiro constrói estruturas para ganhar tempo. O espectador sabe desde o princípio que Barr é inocente (o verdadeiro criminoso é um sujeito interpretado por Jai Courtney), mas a ficha de Reacher cai após uma hora de filme. Antes disso, este é atacado por figuras anônimas, e até sente que algo está errado. O momento de virada vem no rastreio de um Audi que o seguira ao longo de um dia. Outra falha foi não prever que os bandidos seriam avisados quando o carro fosse descoberto no sistema de busca. Para facilitar mais, na prisão de Barr, este entra em coma após ser espancado por prisioneiros.

A primeira hora, parcialmente desperdiçada, é inexplicável na lição dada por Reacher a advogada Helen (Pike), que defende Barr e vai visitar os parentes das vítimas do massacre. A apuração tem aproveitamento nulo. As personagens femininas tomam decisões erradas, indo contra o conselho do homem sem casa fixa. Pior para a advogada, o que cria um ato final clichê de salvamento da “mocinha”, sendo que o herói não tem laços emotivos para salvá-la – mas o faz. No entendimento mais otimista, ele partiu para o derradeiro cenário, uma pedreira, a fim de fechar o caso.

Jack Reacher: O Último Tiro é irregular. Alterna cenas de ação para lá de eficientes (a perseguição automobilística e o duelo de snipers) com a troca de golpes, em duas ocasiões, contra um grupo de jovens patetas. Não dá para entender a idosa que se finge de drogada na entrada de uma casa, e que depois pega um celular e dedura a localização de Reacher, ou o grupo de pessoas num ponto de ônibus que salva o mesmo personagem da polícia. Para tornar a situação mais desconfortável, insinua-se um flerte com Helen, que começa em uma piada espirituosa, e prossegue na cena em que a moça surge com um generoso decote dentro de seu escritório, mas que o herói nem deve ter notado.

Em torno da conspiração para incriminar Barr, o único ponto alto é o do crime. As motivações não parecem importantes e os vilões estão esperando ser pegos. Jai Courtney é inexpressivo, e talvez isso caia bem para um ex-militar que possivelmente sofreu lavagem cerebral e hoje é um psicopata. O cabeça da operação é interpretado nada menos que pelo documentarista Werner Herzog, subutilizado, não correspondendo à expectativa gerada pela cena em que intimida um capanga.

Se o cérebro tivesse um botão de desligar, Jack Reacher: O Último Tiro seria um entretenimento satisfatório. Porém, as inconsistências incomodam além da conta e, o que pode ser o início de uma nova franquia de ação, tem uma qualidade oscilante em seu primeiro capítulo.

(Jack Reacher, , 2012) Dirigido por Christopher McQuarrie. Com: Tom Cruise, Rosamund Pike, Richard Jenkins, David Oyelowo, Werner Herzog, Jai Courtney, Joseph Sikora, Robert Duvall.

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