O Centenário Que Fugiu Pela Janela e Desapareceu

o-centenario-que-fugiu-pela-janela-e-desapareceuCada ruga tem uma história

Um senhor de cem anos passa a ideia, geralmente, de que é uma figura estática, à espera da morte. Ignora-se seu passado. Não é o caso do protagonista de O Centenário Que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, que escapa de um asilo, encontra uma mala cheia de dinheiro e, andando sem destino, apresenta sua vida ao espectador, por flashbacks.

Allan Karlsson (Gustafsson) sempre foi apaixonado por bombas, mas teve parte da juventude interrompida depois de causar um acidente. Já adulto e livre, a obsessão o colocou, coincidentemente, ao lado de figuras e acontecimentos históricos importantes. Foi alheio a quase tudo, fazendo-se passar por algo que não era aos outros. A referência imediata se faz a Forrest Gump: O Contador de Histórias, embora a figura do presente tenha pouco carisma, enquanto no passado, investe-se em humor negro.

No asilo, os funcionários se preocupam somente pelo bolo que tiveram de fazer. Logo, são esquecidos. Allan se alia a três pessoas aleatórias, e não se importa em partilhar o dinheiro encontrado. Na verdade, este elemento serve menos como meio para obtenção de sonhos de consumo e mais para criar uma antagonização: um grupo de motoqueiros, donos do conteúdo, fazem de tudo para encontrar o velho. A crença é que não se terá dificuldade para cumprir a tarefa, mas o acaso age contra o esperado.

As interrupções da fuga para a introdução das lembranças são forçadamente estratégicas, pois precisam disfarçar o marasmo do presente. Felix Herngren, diretor e corroteirista, tenta dar alguma atribuição aos coadjuvantes, como a reflexão acerca do sujeito que não sabe o que fazer da vida ou o interesse romântico deste pela mulher que encontra a seguir, mas nunca consegue torná-los interessantes. O policial que, teoricamente, deveria estar na cola do grupo, também nunca faz algo relevante. Enquanto isso, Allan é uma figura avulsa, que vai tomar um banho de rio quando seus colegas estão resolvendo uma questão importante. Tudo para, “sem querer”, receber o telefonema de um amigo, que ajudará a esticar ainda mais a narrativa.

A virtude do filme está nos absurdos relatados no pretérito. Embora tenha experimentado períodos difíceis, Allan sobreviveu para passar por outros perigos. É uma figura histórica invisível – não será popular, a exemplo de Forrest Gump -, que ganha uma nova chance, fora do fim anunciado em um asilo, para aprontar mais algumas. Desta vez, ganhando notas curiosas e passageiras na imprensa, que o destaca apenas pela idade que tem.

(Hundraåringen som klev ut genom fönstret och försvann, , 2013) Dirigido por Felix Herngren. Com: Robert Gustafsson, Mia Skäringer, Iwar Wiklander, David Wiberg, Jens Hultén, David Shackleton, Ralph Carlsson.

Anúncios
Esse post foi publicado em Críticas e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s