Homens de Preto 3

homens-de-preto-3Um maluco no passado

Os alienígenas de Homens de Preto convivem com humanos da Terra, mas sem expor sua natureza. Quando são surpreendidos pelos agentes de terno e gravata, a física diferenciada é revelada por baixo da roupa. Mesmo que, eventualmente, não se configurem perigo à sociedade, as aparências impressionam.

A questão de desnudar personagens está presente, mais do que nunca, em Homens de Preto 3. Agora é a vez dos humanos: o agente J (Smith) e o K (Lee Jones). Em especial, o segundo. Tudo porque Boris, o Animal (Clement) escapou na prisão, na Lua. Em solo terrestre, procurou um indivíduo que lhe permitiu viajar no tempo, um privilégio que somente alguns conhecem. O vilão volta a 1969, onde K (na pele de Josh Brolin) arrancou o abraço dele e o encarcerou, para reparar a ação e ter um futuro diferente, íntegro, livre e, ainda, permitindo que sua raça, prestes a destruir a humanidade, não fosse extinta.

A trajetória de Boris sofre uma elipse depois da visita ao portador da máquina do tempo. O sucesso de sua missão é sentido na narrativa de J. Por algum motivo, o agente não é totalmente afetado pela nova linha temporal, que eliminou a existência de K. Procurando pelo parceiro, as estranhezas são esperadas, mas as respostas vêm fáceis demais. Não há resistência por parte da chefe (Thompson), que logo encaminha o empregado ao mesmo indivíduo que Boris procurou, anteriormente.

O deslocamento no tempo não é um tema novo. O problema é o desenvolvimento, sem inspiração, no terceiro filme desta franquia, que teve um hiato de dez anos, em relação ao capítulo anterior. O encontro com versões mais jovens de um personagem não é problema: Boris faz isso sem pudor, enquanto os agentes mantêm uma distância preventiva.

O ano de 1969, aqui, é subutilizado. A ida ao homem à Lua compõe o plano de fundo e casa-se convenientemente ao uso de um objeto, que deverá ser levado ao espaço para proteger a Terra de uma invasão alienígena; para isso, basta instalá-lo na ponta do foguete. De resto, é um mundo à parte. A questão da intolerância racial também se faz presente. Embora a causa contra ela é justíssima, mas não se incorpora organicamente à aventura, sendo mais uma desculpa, em uma cena, para Will Smith discursar didaticamente sobre o assunto.

A ideia de conduzir o espectador pela mão continua na apresentação de Griffin (Stuhlbarg), um alienígena que enxerga o futuro. Ele é a forma que o roteiro encontrou para explicar tudo o que pareça confuso, ou não, e que talvez não haveria tempo para desenvolver com mais calma. O personagem é até simpático, mas sua presença incomoda.

Muito pior é o vilão, preguiçosamente unidimensional, agindo por um ideal e com algumas características esparsas, como não gostar de ser chamado pelo apelido ou repetir um bordão quando abre a boca. Durante o clímax, ele surpreendentemente sobrevive a dois acidentes graves, como se fosse imortal. Tudo para esticar o momento, sem se preocupar com a lógica.

Em Homens de Preto 3, a dissecação de K acaba dando maior tempo de tela a J, o planejado protagonista. Mesmo assim, Will Smith faz um trabalho discreto, de condutor, com piadas óbvias, quando, na verdade, deveria se impor. Tommy Lee Jones tem tempo bastante reduzido; se estivesse em uma novela, ele estaria creditado como “participação especial”. Entretanto, Josh Brolin, como o K na versão mais jovem, aproveita as migalhas que dispõe para compor, com destreza, os trejeitos do parceiro ranzinza de J.

Episódico, o filme contém boas execuções de maquiagem e efeitos especiais. Pena que ação e história sejam tão pobres. O esquecimento pós-créditos se dá rapidamente, como se os agentes tivessem apontado a geringonça com flash na frente da câmera. Que eles tenham sido criativos na invenção de uma narrativa substitutiva, a fim de o espectador não lembrar que perdeu quase duas horas nesta incursão.

(Men in Black 3, , 2012) Dirigido por Barry Sonnenfeld. Com: Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clement, Emma Thompson, Michael Stuhlbarg.

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