Aliados

aliadosCônjuges ou rivais?

Um casal é formado por motivo de força maior: ser convidado para um evento nazista no Marrocos, a fim de matar o embaixador alemão. O canadense Max Vatan (Pitt) aterrissa no deserto, recebe instruções de um motorista e conhece a francesa Marianne Beauséjour (Cotillard), esposa postiça, em um jantar coletivo. Primeiro vêm o beijo; um só saberá o nome do outro depois, dentro do carro.

Todo um caminho é percorrido para que eles se apaixonem, realizem a missão dos países aliados na Segunda Guerra Mundial e alimentem um casamento de verdade em Londres. Lá, uma menina nasce em uma noite repleta de bombardeios, mas nada está garantido. A Seção V, do serviço secreto britânico, surge com a teoria de que a esposa de Max é espiã alemã; esta teria tomado a identidade da verdadeira Marianne, morta em uma missão anterior a Casablanca.

Em tempos de guerra, um caso extraconjugal seria menos danoso. Caso a suspeita se confirme, o inimigo deverá ser abatido. Hesitando, Max seria considerado traidor da pátria. O fato é que a resposta não vem pronta – não haveria filme, se viesse; o sujeito terá que plantar uma mensagem falsa e esperar alguns dias para saber se a esposa a transmitiu para o inimigo. Ele não é paciente, mas precisa fingir que está tudo normal. Quando interpretava totalmente um personagem em missões de campo, era mais seguro.

As rimas visuais são o ponto alto: no jantar entre amigos, nas explosões em distâncias próximas e no olhar ao espelho (neste, ambos visam desnudar Marianne; enquanto em Marrocos é literal, em Londres é psicológica). Até o desfecho, a moça não é filmada em nenhuma ação incriminadora; ela realiza ações cotidianas que se esperam de seu personagem, assim como as fez no Marrocos, onde era comprovadamente dissimulada.

A Seção V se encontra no profundo subterrâneo do serviço secreto, o que revela sua máxima discrição. Quando retorna a Londres, Max é chamado pelo superior para um comunicado importante. Fica apreensivo, mas não é nada demais. A brincadeira é internarrativa, comunicando que é comum a descoberta de espiões, ou do filme, adiantando uma ocorrência que nem foi introduzida ainda, mas que o espectador eventualmente sabe porque já leu a sinopse ou viu o trailer?

Fatores externos transmitem os sentimentos de algumas cenas, como o sexo dentro do carro, durante uma tempestade de areia, ou o parto na hora do bombardeio nazista. Eles são mais eficientes que o desempenho de Brad Pitt. Marion Cotillard até consegue ter boa presença, mas o galã dos anos 1990, com a face ausente de emoções, prejudica substancialmente a dupla ao não tornar o romance entre espiões crível.

O caminho até a verdade é um tanto torto. Durante a missão na embaixada em Marrocos, um garçom olha estranhamente, antes do casal agir. Logo depois, Marianne poupa uma mulher, sua “amiga” no jantar. Parece esses dois elementos significarão algo, mas não. Já na fase londrina, Brad Pitt emula seu papel em Bastardos Inglórios, usando armas em solo hostil, para conseguir uma informação; a ação da cena é burocrática. Na cena decisiva, o vulto do personagem de Jared Harris aparece em segundo plano; mal iluminado, ele se assemelha, por algum motivo, a Adolf Hitler.

Longe de ser brilhante, Aliados é interessante em algumas construções visuais. No restante, é convencional ou inquietantemente falho.

(Allied, , 2016) Dirigido por Robert Zemeckis. Com: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris.

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