Kubo e as Cordas Mágicas

kubo-e-as-cordas-magicasMúsica encantada

Kubo é um garoto que mora na caverna junto da mãe. Durante o dia, ele vai à aldeia próxima fazer apresentações com origamis animados por meio do som de seu banjo de três cordas. Há a regra de voltar à casa antes do anoitecer – que é quebrada em algum momento, claro – e, por isso, não consegue finalizar a história contada do seu teatro, frustrando o público.

A história vivida por Kubo também é uma interrompida. Teve um olho e o pai perdido pela família real da mãe – as irmãs e o pai dela, que vivem num plano superior. Tudo porque a progenitora teve a ousadia de se apaixonar por Hanzo, um samurai à margem da sociedade, e gerar um filho, no caso, o que dá nome a este filme. Depois da tragédia, os sobreviventes devastados fugiram, mas ainda são procurados.

Quando o menino demora a voltar para casa, já à noite, as irmãs (tias dele) aparecem para roubar o olho restante. Kubo é salvo novamente pela mãe e deslocado, por magia, a um outro lugar. A partir daí, fará uma jornada em busca de equipamentos lendários de samurai – espada, elmo e peitoral – a fim de se proteger contra o que restou de sua família. Um macaco e uma barata enorme de armadura surgirão para ajudá-lo.

A realidade inicial do protagonista já não era confortável, visto que a mãe tinha mais momentos de delírio do que sanidade, e precisava ser cuidada. As verdades sobre sua origem demoram a ser reveladas; ele vive no escuro. Contudo, fragmentos do que aprendeu e conta nas apresentações com origamis são úteis para enfrentar os perigos próximos.

A procura pela roupa samurai não tem mapa; é aleatória, o que incomoda um pouco. As lutas enfrentadas são vibrantes, a partir de stop motion, que devem ter sido minuciosamente elaboradas. O visual é fantástico, unindo elementos improváveis para a construção de objetos, como o navio com folhas de árvore. A criação desse universo é ampla e imaginativa, e pode ser atestada nos créditos finais, quando diversos símbolos são expostos, ao lado do nome da equipe, e não parecem ter fim ou ser parecidos entre si.

A morte é um dos grandes temas dessa madura animação, falando sobre homenagem aos que se foram, luto e saudade. Inclui também a ideia de ressurreição, ou vida temporária, em outras formas de vida. No entanto, a última cena força um desnecessário final feliz, indo contra ao tom anteriormente apresentado.

Kubo e as Cordas Mágicas encontra uma solução inteligente contra um oponente imortal, aparentemente impossível de ser vencido. A vitória, contudo, acaba sendo de todos, e a ideia de cooperação mútua, a partir do acompanhamento dos animais ao personagem mirim, se torna mais ampla.

Na cena em que os aldeões precisam lidar com um novo personagem, desmemoriado, criam histórias para ele. Pode não ser mais o protagonista dessa função, mas ganhou amigos ou, quem sabe, uma nova família.

(Kubo and the Two Strings, , 2016) Dirigido por Travis Knight.

Anúncios
Esse post foi publicado em Críticas e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s