Um Homem Chamado Ove

um-homem-chamado-oveUm vizinho nada amistoso

Ove (Lassgård) é um viúvo que age como rígido síndico de um condomínio onde ninguém liga muito para as regras. O encarregado do espaço, na verdade, é seu ex-amigo Rune (Lundberg), que está paralítico e prestes a ser levado ao asilo por um serviço de saúde privado.

Depois de ser demitido do emprego herdado do pai, onde estava há muitas décadas, o personagem resolve se matar para encontrar a única mulher de sua vida, que tanto amava. Contudo, as tentativas são frustradas por alguma inconveniência externa.

As relações do conservador protagonista não devem ser levadas a ferro e fogo, visto que seu autoritarismo e falta de educação não são devolvidos igualmente. Os interlocutores são, no mínimo, pacientes. As tarefas que ele presta, como consertar o ar condicionado da vizinha, parece revelar seu grande coração, apesar dos pesares, e porque as pessoas, de alguma forma, o respeitam. Contudo, a sensação que passa é que ele é empregado dos outros, por mais que o desejo de fazer as coisas por si mesmo seja coerente com sua personalidade.

Os porquês do protagonista são apresentados em flashbacks, resumindo sua trajetória desde a infância. Algumas tentativas de suicídio são usadas para marcar uma pausa e voltar ao passado. Ove testemunhou mortes dolorosas, mas o que mais chama atenção é seu tipo fechado, como se vivesse em uma bolha, dificultando a simpatia pelo espectador e a crença de algumas conquistas, como o casamento com Sonja (Engvoll).

Há o encontro com a vizinha imigrante e o amigo gay de um conhecido. Em um primeiro momento, Ove é preconceituoso, mas muda artificialmente conforme a evolução da trama. A resistência às novas tecnologias também é igualmente quebrada quando ele dá de presente um iPad a uma criança. O único assunto que tem amplo conhecimento é carros, o que gera uma sequência razoavelmente divertida a respeito de marcas, nacionais e estrangeiras, que motivou a briga com o outrora amigo.

Em Um Homem Chamado Ove, as ações são mais meios que fins. O desenho da narrativa é bastante óbvio: o velho solitário irá encontrar afeto de onde menos espera. De repente, está cuidando dos filhos de alguém ou ensinando a vizinha a dirigir. A previsibilidade torna a fruição menos interessante, sobrando apenas tapar as lacunas históricas do personagem.

Dos muitos nãos que solta, essa figura com voz grave, de cinquenta e nove anos – parece mais velho fisicamente –, acaba soltando um sim a contragosto, a exemplo do conserto do ar condicionado, sempre adiado, mas finalmente assumido porque precisava recuperar uma mangueira emprestada.

Um Homem Chamado Ove é um drama com raros momentos cômicos, que seria melhor se dedicasse maior atenção ao unidimensional personagem-título ou não fosse tão raso nos sentidos atribuídos ao conjunto de relatos apresentados.

(Em man som heter Ove, , 2015) Dirigido por Hannes Holm. Com: Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Klas Wiljergård, Chatarina Larsson, Börje Lundberg.

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