Terra de Minas

A morte sob a areia

A Alemanha Nazista acreditou que os aliados tomariam o continente europeu pela Dinamarca. Preventivamente, colocaram dois milhões de minas ao longo da costa oeste do país. A Segunda Guerra Mundial acabou; o Terceiro Reich estava errado. Além de ruínas, sobrou ódio. Adolescentes alemães, que provavelmente não participaram do sangrento evento, foram deslocados, forçados a detectar e desativar as minas. Promete-se retorno à casa quando terminarem, mas, se tratando da natureza do trabalho, é uma possibilidade remota.

Terra de Minas não proíbe os jovens personagens de sonhar. Eventualmente, surge um realista, impedido de fugir pelos semelhantes em prol do coletivo. A morte, que os ronda, pode acontecer por nervosismo, descuido ou sem motivo revelado. O espectador espera uma explosão a qualquer momento; quando vem, no entanto, dá um susto. Os corpos correm o risco de não serem encontrados. Quando acontece uma exceção, a câmera não esconde os ferimentos; as imagens são fortes.

O sargento dinamarquês Carl Rasmussen (Møller) tem a presença mais marcante. Odeia alemães. A primeira cena é com ele espancando um prisioneiro que portava uma bandeira do país escandinavo. Como supervisor dos desarmadores, o tratamento é autoritário, ignorando a alimentação e confinando-os em uma casa de madeira ao fim do dia. Estão isolados em uma praia – é nela que estão as minas – com raros vizinhos.

Em determinado momento, o opressivo chefe terá uma evolução, passando a enxergar os subordinados como seres humanos. A mudança é brusca, o que afeta o andamento do filme. Logo, ele está trazendo comida e jogando futebol, em um estranho dia de folga. Isso gera outra antagonização, de um tenente distante que se mete no assunto, mas sem grande aprofundamento.

Os alemães são mais ou menos homogeneizados. Eles são destacados quando tratam bem seres em posições inferiores, como um besouro ou a filha nova da vizinha, que brinca de boneca no jardim. Na segunda metade, esta é colocada em uma posição bastante improvável e artificial. Se a compaixão da mãe pelos jovens prisioneiros não é despertada, o que seria esperado, a cena tem outra função, menos conciliatória.

Mesmo depois da guerra, tornar sonhos em realidade está difícil. Ter vontades, mesmo para o oficial dinamarquês, soa restritivo. A missão dominante é reconstruir, mesmo que vidas tenham de ser sacrificadas. O conflito só acabará de verdade quando a condição de igualdade entre esses povos retornar.

(Under sandet, , 2015) Dirigido por Martin Zandvliet. Com: Roland Møller, Louis Hofmann, Joel Basman, Mikkel Boe Følsgaard, Laura Bro, Zoe Zandvliet.

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