Mogli: o Menino Lobo

Sobre menino e lobos

O filhote de humanos criado por lobos, de nome Mogli (Sethi), não consegue ser tão rápido quanto sua alcateia. Se usar os proibidos truques, habilidades desenvolvidas por homens, terá melhor desempenho. A ideia é que o personagem seja capaz de sobreviver à selva, mas se não explorar novas possibilidades, terá problemas. Eis um paradoxo.

Certo dia, o tigre Shere Kahn surge com o desejo de eliminar o moleque. Ele afirma que Mogli, quando crescer, irá se tornar tão destrutivo quanto seus semelhantes, em especial usando a “flor vermelha”, isto é, o fogo. O animal ainda tem um motivo particular, revelado de forma elegante, por outro personagem, que define os primeiros passos do protagonista.

A selva é surpreendentemente colaborativa. No período de seca, a caça é proibida, permitindo que todos os animais circulem em um mesmo ambiente para aproveitar as escassas fontes de água. Uma consciência de equilíbrio que retorna ao menino lobo: será ele o responsável por romper essa harmonia? O filme não vai muito além desta questão, evitando se aproximar o suficiente da vila de homens adultos, mas expõe o que deseja até o ponto chegado.

Mogli decide abandonar a alcateia para a paz retornar à selva. Coloca-se em uma jornada até o vilarejo. As distâncias não são bem desenvolvidas, já que se demora muito para chegar, enquanto que o retorno, mais tarde, é feito em uma mesma noite. A pantera Bagheera o acompanha por um trecho. Em outro, o garoto conhece os perigos da natureza, mas é salvo pelo urso Baloo, que espertamente o usa para recolher mel nas encostas de uma montanha. A exploração se mistura com cumplicidade e, no momento certo, se consolidará em fortes laços de amizade.

A inserção do Rei Louie, um orangotango gigante, é aleatória, mas o novo mundo apresentado cria novas possibilidades no cenário detalhadamente construído, da entrada em forma de escolta a cena de ação, em que figuras de diferentes proporções precisam se movimentar em um salão escuro e cheio de pilares.

A violência é notável, mas diminuída pela computação gráfica nem sempre perfeita. O corpo de Mogli, sujo e com cicatrizes, não intocável, pronto para receber mais ferimentos é o toque de realidade. Se no abraço que recebe da serpente, o personagem é hipnotizado, e não se sente tanto sua dor física, em outras ocasiões, como quando é picado por abelhas, as marcas são bem destacadas, e as queixas são verbalizadas.

O indo-americano Neel Sethi não é uma revelação, mas se porta bem no papel. Nas dublagens dos animais antropomorfizados, é difícil pensar em outro que não Bill Murray para ser Baloo. Idris Elba, por sua vez, consegue imprimir um tom de ameaça convincente em Shere Khan.

Ocasionalmente musical, Mogli: o Menino Lobo é uma aventura decente, que não nega suas origens literárias e waltdisneyanas. A selva é um lugar perigoso, mas também cenário de descobertas interessantes, do ambíguo orangotango, que tem quase tudo, aos misteriosos homens, que são vistos apenas em silhuetas, sob a flamejante luminosidade da flor vermelha.

(The Jungle Book, , 2016) Dirigido por Jon Favreau. Com: Neel Sethi e vozes de Bill Murray, Bem Kingsley, Idris Elba, Lupita Nyong’o, Scarlett Johansson, Giancarlo Esposito, Christopher Walken.

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