Sully: o Herói do Rio Hudson

Fator humano

O maior interesse de um filme sobre acidente de avião não é sua ocorrência mais violenta. Pela forma como é ordenado, Sully: o Herói do Rio Hudson se preocupa com as consequências à atitude do piloto Chesley Sullenberger (Hanks), o Sully, que teve as turbinas do avião danificadas por pássaros, e decidiu pousá-lo no Rio Hudson, em vez de se dirigir a um dos dois aeroportos próximos, em Nova York. Apesar das estatísticas contrárias, conseguiu salvar 155 pessoas.

Sully e o copiloto Jeff Skiles (Eckhart) estão em modo de espera, sem poder voltar para a casa; o voo é analisado pelo órgão de segurança responsável: há a possibilidade de que o retorno a um aeroporto fosse possível. Trata-se de um filme de tribunal. Os técnicos, advogados e correlatos são frios, mas a disposição na narrativa faz com que eles naturalmente se tornem antagonistas.

O personagem principal é tratado como herói por populares e precisa lidar com o assédio midiático. Tem sonhos ruins, refaz o caminho do avião e só vislubra acidente. O indício de erros por parte dele não é apresentado, tornando o final uma incógnita. O tempo presente serve para falar do tormento de um piloto experiente, que acredita ter tomado a melhor decisão.

Enquanto não chega ao veredicto, Clint Eastwood enrola com flashbacks remotos, de quando Sully aprendia a voar. Repete também o acidente do Rio Hudson por vários pontos de vista: da cabine, tripulação, torre de controle e autoridade marinha. A condição humana se apresenta, principalmente, entre os passageiros; alguns são precariamente diferenciados. O meio também é levado em conta, da água entrando no avião a baixíssima temperatura do rio – 40 graus negativos -, quando alguns desorientados tentam nadar. As limitações físicas transbordam na tela.

O americanismo é esperado, da lembrança ao 11 de setembro a unidade dos serviços de resgate. Outros exageros, contudo, incomodam, como a lágrima do funcionário na torre de comando ou o discurso edificante no final.

O suspense da possibilidade de procurar aeroportos possui muitas variáveis, e expõe que nem sempre a máquina está certa. Um indivíduo treinado pode lidar com o imprevisto e, mesmo com manuais, não ter uma resposta imediata. A questão das turbinas, sobre uma não ter sido danificada, é resolvida abruptamente, sem criatividade.

A ação demorou 208 segundos. Rápidos, porém eternos. Os 96 minutos do longa-metragem são poucos para o padrão cinematográfico, mas muito para a quantidade de elementos que lida. Os profissionais e órgãos relatados prezam pela competência, mas, no duelo entre eles, alguém/algum estará errado. Se o personagem falhar, é aposentado e tem os investimentos financeiros prejudicados. Se for a máquina, no máximo receberá alguns ajustes.

Independente do cenário, a máquina vencerá. Não se trata de uma ficção científica, à lá O Exterminador do Futuro, mas é a melhor leitura desse drama não tão complexo como tenta parecer.

(Sully, , 2016) Dirigido por Clint Eastwood. Com: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Mike O’Mally, Anna Gunn, Laura Linney.

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