Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Homens ao mar

Um desastre no nível “salve-se quem puder”, no meio do mar, à noite, envolvendo fogo e o impacto de explosões, é angustiante. Em uma plataforma de petróleo, executivos controlam remotamente a instalação e ganham rios de dinheiro, enquanto homens comuns se afastam algumas semanas de suas famílias para tomar decisões importantes e correr uma série de riscos.

O acidente no Deepwater Horizon em 2010, no Golfo do México, já é conhecido. A dramatização do evento, dirigido por Peter Berg, desenvolve os preparativos em diversas frentes. As mais subjetivas envolvem presságios ruins, a partir de uma ave que se choca contra o helicóptero de transporte de funcionários, a métodos de trabalho, no conflito entre Jimmy Harrell (Russell), o respeitado chefe, e Vidrine (Malkovich), representante da British Petroleum. O mais responsável rebate o outro com a sentença “A esperança não é uma tática”.

A plataforma está há algumas semanas paradas; ainda não começou a extrair petróleo. Os mandachuvas estão impacientes. Uma vistoria terceirizada é realizada parcialmente antes de os responsáveis técnicos retornarem a um novo período para a plataforma. A câmera mergulha até a superfície de extração: flagra um pouco de terra se descolando e gás vazando. A decisão ainda está nos homens acima, que contam com monitores e tecnologia necessária, embora equipamentos de bem-estar dos funcionários, como ar condicionado e banheiros, não estejam funcionando direito.

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo se enrola um pouco na linguagem técnica, mas é possível superá-la, de alguma forma. Ironicamente, Jimmy é deslocado para o refeitório, a fim de uma comemoração entre funcionários: ele receberá um prêmio pela segurança na instalação. Na cabine de comando, uma decisão precisa ser tomada; Jimmy a dá por telefone, e depois vai tomar banho, esperando que o fim do dia seja de muito trabalho na extração petrolífera que, enfim, começará. Um funcionário menor reclama da pressão cedida – Vidrine estava ao seu lado, ordenando o início da operação – mas equivoca-se, já que a aprovação já havia sido transmitida por Jimmy. Ele é só um executor.

O desastre finalmente toma forma; as explosões preenchem a tela. Curiosamente, nem todos os setores a sentem em um primeiro momento. Quando acontece, algumas atitudes de segurança devem ser tomadas, mas o respeito pela hierarquia impede que subalternos ajam. Se, por um lado, a omissão pode causar mais mortes, por outro, se as coisas piorarem e o auxiliar sobreviver, terá que responder judicialmente depois.

Os personagens esculpidos no início são aproveitados na sequência de caos. O engenheiro Mike (Wahlberg) é o destaque, pois banca o herói da vez. Andrea (Rodriguez), a única mulher a bordo, é subutilizada, resgatando algum valor na cena do salto. Jimmy não tem muito o que fazer durante a ação, pois está ferido, e Vidrine fica sério e emudecido, pouco colaborando para o desenvolvimento. Sua frieza constitui um tipo de maniqueísmo.

O filme não é impressionante. A caracterização preliminar dos personagens é corriqueira, sobressaindo-se em pequenas características, como o fóssil prometido à filha ou a indignação de um homem, sem notícia do filho, que encara um traumatizado sobrevivente. A lição de casa da menina, sobre o trabalho do pai, é uma boa saída para tocar no assunto, mas a representação com uma lata de refrigerante é de um didatismo exagerado. Durante o perigo, algumas ocorrências vistas em tela são desnecessariamente verbalizadas.

O episódio do Deepwater Horizon foi mais impactante para o meio ambiente, derramando petróleo por uma área marítima vasta e prejudicando o habitat de inúmeros animais. Mas o assunto é perifericamente apresentado. Enquanto drama humano, causa comoção limitada ao público.

(Deepwater Horizon,  , 2016) Dirigido por Peter Berg. Com: Mark Wahlberg, Kurt Russell, Gina Rodriguez, John Malkovich, Kate Hudson.

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