Animais Fantásticos e Onde Habitam

Bagagem de mão

Um bruxo britânico, especialista em animais mágicos, desembarca em Nova York na década de 1920. O cabisbaixo e atrapalhado Newt Scamander (Redmayne) carrega uma mala que passa despercebida pelas autoridades, mas que abriga um gigante cativeiro. Há uma justificativa particular para o sujeito estar no Novo Mundo, mas pouco importa o que é e quando o realizará.

O fato que é alguns bichos de Newt fogem da mala bem no momento em que a cidade está sendo aterrorizada por um desconhecido perigo. Os bruxos normalmente se escondem, mas precisam limpar a eventual sujeira e apagar a memória dos cidadãos comuns (trouxas, conhecidos da franquia Harry Potter, ou no-majs, termo usado pelos ianques). A exposição implicaria em uma indesejável guerra.

Um quarteto é concebido informalmente para encontrar os animais desaparecidos e, por tabela, resolver o mistério nova-iorquino: além de Newt, há as bruxas Tina (Waterson) e Queenie (Sudol) e o trouxa Kowalski (Fogler). Paralelamente, Credence (Miller) é atormentado pela mãe adotiva (Morton), e se reúne secretamente com Percival Graves (Farrell), autoridade do Ministério da Magia, que claramente se aproveita do rapaz em busca de uma informação.

Os animais não são tão fantásticos assim, pois passam rapidamente na tela, deixando o espectador perdido na contagem dos recuperados. Quando, por exemplo, se está na busca de uma criatura invisível, fica-se na dúvida se foi capturado mesmo o anterior, que gostava de objetos brilhantes e havia escapado antes. O próprio Newt mente ou descobre novas figuras não previstas, que a questão parece bagunçada de propósito.

A interação entre os heróis é inconsistente, fazendo questionar a força durante a cena chuvosa, na saída da estação de trem, ou o embarque com promessa de entregar um livro pessoalmente. Personagens são salvos, leem a mente do outro ou se metem juntos em uma missão, mas não conseguem criar um vínculo verossímil com o próximo.

Newt é a figura, de longe, mais memorável, pela boa composição de Eddie Redmayne. Tina tem características definidas e uma subtrama, mas não se impõe. Queenie tem um flerte precariamente construído e é necessária em uma fuga, sob péssima desculpa. Kowalski não é engraçado, mas se coloca no lugar do espectador a fim de descobrir aquele mundo familiar – para quem acompanhou a franquia Harry Potter – e, ao mesmo tempo, novo.

Os núcleos da família paranoica com bruxaria e do dono de jornal que vai lançar o filho à política são insatisfatórios. O drama de Credence recebe mais atenção, mas não tanta. A parte com desfecho mais equilibrado gira em torno do vilão, que não tem todas as intenções reveladas, mas o básico é desenhado, aguardando a continuação da história para partir a novas investidas.

Os efeitos especiais impressionam em cenas de ação, mas o contato físico dos atores com as criaturas feitas em computação gráfica é artificial, ficando perceptível que os primeiros estão tocando no invisível.

Animais Fantásticos e Onde Habitam demora a terminar. Possui muitas despedidas. O que poderia representar extremo apego aos personagens, acaba por revelar confusão na condução da narrativa. A escritora J.K. Rowling, que assume o roteiro cinematográfico de sua obra pela primeira vez, não se sai tão bem na função.

A franquia expande o universo para outros tempos, personagens e continentes, mas se não ocorrer investimentos na qualidade da história, nem a magia, com a ajuda de varinhas ou animais “fantásticos”, poderá ajudar.

(Fantastic Beats and Where to Find Them, , 2016) Dirigido por David Yates. Com: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Alison Sudol, Dan Fogler, Colin Farrell, Samantha Morton, Ezra Miller.

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