Esquadrão Suicida

Liberdade relativa

A poderosa funcionária do governo americano Amanda Waller (Davis) teve uma corajosa ideia para defender o mundo em tempos de insegurança: montar uma equipe de vilões, esquecidos em cárceres invioláveis, para combater o mal. Paradoxo que funciona à base de chantagens, do chip implantado que irá explodir e matar o indivíduo, caso ele se rebele, a ligações com pessoas que os prendem ao mundo. Só há duas saídas: o sucesso, com alguma redução de pena, ou o fracasso, resultando em morte por fogo “amigo” ou inimigo.

Coincidentemente, uma ameaça surge na sequência. Trata-se do sobrenatural, a partir de uma força poderosa que pode destruir pessoas comuns e concreto como se fossem papel. O grupo de Waller, chamado de Esquadrão Suicida, contém integrantes, salvo um ou outro, sem superpoderes, que lutam com armas brancas ou de fogo. Percebe-se um jogo quase perdido. Oportunamente, o grupo não é informado da natureza da ameaça.

Quando desembarcam na cidade, evacuada depois de um ataque, os vilões coagidos iniciam uma caminhada em que enfrentam os capangas da ameaça principal. Estes são fáceis de serem abatidos, bastando um bom número de desafiantes. Embora sejam os inimigos ideais ao Esquadrão, são homogêneos e sem personalidade. Muitos minutos e passos são gastos nessa ladainha. Quando o chefão é confrontado, o filme já está perto do final, sendo também um desperdício das forças sobrenaturais.

A apresentação, com letreiros coloridos e descolads, o recrutamento e a saída da prisão tomam longuíssimos cinquenta minutos. O primeiro elemento não acrescenta tanta coisa. A missão é alternada em flashbacks, quando há mais chance de conhecer os personagens. O foco majoritário é em Harley Quinn (Robbie) e a relação com o Coringa, que a faz ser o que é atualmente, e no Pistoleiro (Smith), um matador de aluguel eficiente, mas desejoso em acompanhar o crescimento da filha. O Diablo (Hernandez) tem uma premissa boa – é paranormal, contém-se no uso dos poderes e possui um passado traumático –, o Capitão Bumerangue (Courtney) é apenas irritante e Magia (Delevingne) é uma entidade com poderes interessantes (vide o teleporte para roubar, em segundos, um documento secreto no Irã), mas inacreditavelmente mal desenvolvida. Por fim, o pouco tempo em tela de Katana (Fukuhara) e a falta de relevância direcionada a Crocodilo (Akinnuoye-Agbaje) incomodam.

Coleção de erros de continuidade e diálogos ruins, Esquadrão Suicida dificulta a imersão na história. O fan service se faz presente para ligar filmes anteriores e os que ainda serão lançados da DC Comics. Determinado desfecho de Batman vs Superman: A Origem da Justiça ajuda a contextualizar as motivações de Amanda Waller, mas não prejudica a compreensão do espectador.

A criadora do Esquadrão é mesmo uma mulher forte; um de seus ápices é a atitude que toma antes de fugir da base. Mesmo, posteriormente, em grande perigo, ela não é morta, pois as informações que possui são valiosas demais para serem destruídas. Harley Quinn, por sua vez, tem figurino marcante – melhor talvez que o clássico vermelho e preto da personagem, que pretere antes de sair da prisão -, e iniciativas que movimentam o grupo. Contudo, a imposição que o roteiro coloca para que os integrantes se considerem uma família é difícil de engolir.

Esquadrão Suicida teria tudo para ser um filme ruim se não fosse a interpretação de Margot Robbie e as presenças de Viola Davis e Will Smith. Um ou outro coadjuvante não faz feio – o Coringa de Jaret Leto não compromete -, mas a impressão geral é de uma aventura ordinária, cuja ameaça o Batman ou outro super-herói não deveria se preocupar, apesar de causar certa destruição e transtorno no cenário urbano.

(Suicide Squad, , 2016) Dirigido por David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuouye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara.

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