Star Trek: Sem Fronteiras

Guerra e paz

Depois de enfrentar missões preparatórias na USS Enterprise, o Capitão Kirk (Pine) quer explorar o espaço. Conseguiu isso ao final de Além da Escuridão (2013), iniciando uma longa viagem de cinco anos. No terceiro, já está entediado, e quer sair, assumindo um cargo administrativo.

Ninguém é informado, mas será a última viagem dele e também de Spock (Quinto), que sacrificará os próprios desejos por um bem maior. Claro que durante essa jornada, uma ameaça surgirá e fará os personagens mudarem de ideia.

A ação começa em uma base avançada da Federação, isto é, em um planeta habitável, revestido por um material transparente e com faixas de terra em diversas orientações, com gravidade própria. Uma desconhecida alienígena aparece pedindo ajuda em uma pequena nave, afirmando que seu povo está preso em uma nebulosa. A Enterprise é o único veículo com tecnologia para chegar ao local, então se disponibiliza. A viagem, no entanto, se revela uma armadilha que destruirá um bem precioso e separará os tripulantes em um planeta desconhecido, o que será proveitoso ao desenvolvimento e interação de personagens, por duplas.

A introdução de Star Trek: Sem Fronteiras dá o tom à história: o inimigo será pequeno e numeroso – em relação aos personagens ou à nave – assim como um povo visitado no início, que não aceita um artefato de presente, como gesto de paz. Esse objeto será perseguido depois pelo vilão Krall (Elba). O espectador é informado que se trata de uma arma poderosa, e nada mais. O que interessa é o estrago a ser feito, seja lá como.

Os personagens invisíveis da Enterprise ganham alguma atenção: a câmera mostra que têm vida pessoal, brincando ou flertando pelos corredores da nave. Entretanto, a preocupação por eles durante eventuais sacrifícios continua mínima. Entre os personagens principais, levanta-se rapidamente a homossexualidade de alguém e aumenta consideravelmente a participação de outro, o engenheiro Scotty (Pegg), cujo intérprete, não coincidentemente, é coroteirista.

Os dramas de Kirk e Spock são circunstanciais. O primeiro serve mais como mão-de-obra à ação, enquanto o segundo executa boas cenas ao lado do Doutor McCoy (Urban). Adiciona-se Jaylah (Boutella), alienígena de pele literalmente branca, presa no planeta Altamid pela turma de Krall e desejosa em fugir, na posse de um trambolho. Depois que a troca de favores é acordada entre os integrantes da Enterprise, some de cena. Na invasão do território inimigo, ela encontra Manas (Taslim), o carrasco que matou seu povo, mas o roteiro não chega a dar importância dramática necessária ao momento. A personagem até estampa o pôster do filme, mas é subutilizada.

Sem Fronteiras mantém a ideia de vilão vingativo, mas Krall não é tão invencível quanto Khan (Cumberbatch) e não tem uma tecnologia tão superior quanto a de Nero (Bana). Sua força está no ataque surpresa em um cenário favorável; ele é uma figura militar que acredita na estabilidade do universo pela guerra, algo sem sentido na atual filosofia da Federação.

Com uma história menos rebuscada que os longas anteriores, a aventura é decente, mas sem encher os olhos. Com a troca de diretores – saiu J.J. Abrams e entrou Justin Lin –, a ação se tornou a maior protagonista. Não é ruim, mas poderia ser melhor.

(Star Trek Beyond, , 2016) Dirigido por Justin Lin. Com: Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Idris Elba, Sofia Boutella, Joe Taslim.

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