The Wackness

Fugindo da realidade

Luke Shapiro (Peck) é um jovem prestes a se formar no ensino médio, que vende maconha em um carrinho de sorvete para fazer o pé de meia. Dr. Squires (Kingsley) é um psiquiatra entediado na profissão, com consultório pomposo; é cliente do primeiro. O caminho dos dois se cruzará ainda de outras formas: Luke apaixona-se pela enteada do médico, enquanto este vive uma crise de meia idade e matrimonial.

O ano (1994) e o local (Nova York) da narrativa influenciam os personagens, especialmente pela música. O mais jovem, branco, é ambientado nos guetos e escuta hip hop, a moda do momento, enquanto o médico prefere rock clássico, que o acompanhou durante a vida. É no mesmo contexto que o mandato do prefeito Rudolph Giuliani, em Nova York, começava, junto da política de “tolerância zero” contra a violência e as drogas. A questão de segurança pública insere-se perifericamente, mas é possível ver algumas consequências, como a distribuição de entorpecentes em prédios abandonados, com negros tentando se afastar do radar dos agentes da lei.

O clima em The Wackness é de indiferença a si próprio e às pessoas próximas. A falta de sintonia é grande; os personagens se encontram perdidos e/ou deprimidos. Os narcóticos parecem um razoável tratamento, a curto prazo, para esse mal-estar. Em substituição a eles, há os medicamentos de tarja preta (que Squires coleciona em seu banheiro) e o amor, que oferece altos e baixos em um curto espaço de tempo.

Em uma espécie de terapia informal, que às vezes assume o protocolo, os personagens masculinos apresentam soluções ao outro que, na verdade, são para si mesmos. Uma estranha amizade é criada, mais forte que o relacionamento de Shapiro com Stephanie (Thirlby), a enteada do psiquiatra. O desfecho da interação com a menina é um tanto ambíguo, já que ela se equivoca em chamar pelo nome do garoto em um telefonema de outra pessoa. Fica a ideia de possibilidades não concretizadas – e mal explicadas -, apesar do acontecimento-chave traumático, que imediatamente cimenta qualquer reação.

Squires tem um desfecho bastante conveniente, que esbarra coincidentemente em seu caminho após resolver sair da zona de conforto e buscar um novo “trabalho”. A Shapiro, sobra a sensação amarga de uma recente experiência e a expectativa a outra, de natureza distinta, ainda afastada no horizonte.

The Wackness contempla uma série de emoções provisórias, que poderão mudar ao sabor de novos acontecimentos. A esperança é que exista um dia seguinte, que pode não acontecer aos personagens, seja por escolhas próprias ou de pessoas ao redor.

(The Wackness, , 2008) Dirigido por Jonathan Levine. Com: Bem Kingsley, Josh Peck, Famke Janssen, Olivia Thirlby, Mary-Kate Olsen, Jane Adams, Method Man.

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