João e Maria: Caçadores de Bruxas

À prova de fogo

Depois de matar a bruxa e fugir da casa feita de doces, João e Maria não foram felizes para sempre. É o que conta o filme de Tommy Wirkola: os personagens cresceram, e agora caçam bruxas, construindo boa reputação nas vilas que passam. De acordo com eles, não se tratou de escolha, como se fosse uma carreira.

Uma reunião de bruxas, incluindo a poderosa Muriel (Janssen), promete um ritual que fará seu grupo ficar imune ao fogo, que as turbas raivosas usam para queimá-las em fogueiras. Os protagonistas chegam a Augsburg, contratados pelo prefeito, e são antagonizados pelo populista e incompetente xerife, um fraco personagem. O caminho até o clímax envolve uma trama detetivesca e muita ação. Esta, curiosamente, sem diálogos. Em compensação, os personagens fazem muita pose com armas, como se estivessem prontos para aparecer em um material de divulgação.

João e Maria: Caçadores de Bruxas é surpreendentemente “adulto” para uma história inicialmente infantil, ou a um cinema conservador que é o mainstream norte-americano. Há muito sangue e membros decepados – que sob a luz parecem geleia de morango e computação gráfica mal finalizada, respectivamente. O sexo transborda no desejo do fã adolescente por Maria e na tentativa de estupro à mesma personagem. O comportamento machista também não é tímido, vindo até de João, mais de uma vez. Crível, se pensar que se trata de uma narrativa medieval, mas fora de tom se pensar na tentativa que Wirkola tem em modernizá-la. Perde-se a conta as vezes em que a protagonista feminina é chamada de bitch, por exemplo.

A adição de coadjuvantes é visível. Tenta-se montar uma equipe para uma continuação ou, no caso de determinado indivíduo, criar um momento impactante. Só nada funciona. Nem, por exemplo, se o jovem Ben (Mann), na retaguarda de um ataque, desse cabo de Muriel. Seria animador, todavia.

Com roteiro expositivo e personagens fanáticos por carnificina, João e Maria: Caçadores de Bruxas causa choque inicial pelas opções estéticas tomadas, porém aborrecimento subsequente, até os créditos finais, por uma trama que ambiciona voos altos, mas entrega pouca consistência.

(Hansel & Gretel: Witch Hunters, , 2013) Dirigido por Tommy Wirkola. Com: Jeremy Renner, Gemma Arterton, Famke Janssen, Pihla Viitala, Derek Mears, Thomas Mann, Peter Stormare.

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