Eu Não Sou Seu Negro

Tão longe, tão perto

O Oscar de 2017 indicou documentários diversos sobre racismo, sendo bem abrangente sobre o tema em si (A 13ª Emenda) ou aplicada a uma pessoa (O.J.: Made In America), que reflete em outras. Eu Não Sou Seu Negro é perfeito para ser assistido em terceiro lugar nessa lista. Mais recortado, trabalha com alguns aspectos do que seleciona.

James Baldwin, escritor negro, é o protagonista, que quis abordar o racismo de fora, sem se envolver com movimentos, como os religiosos ou o dos Panteras Negras. Mas tinha amigos que eram diretamente envolvidos: Martin Luther King, Malcolm X e Medgar Evers. O roteiro se apoia também nesses três, embora o último receba menos atenção.

A amarga constatação de que os indivíduos mais famosos – o trio citado anteriormente – não conseguiu chegar aos 40 anos, pois foram assassinados, é sentida por Baldwin, que morreu aos 63, de tuberculose, em 1987. Este ano não impede o diretor Raoul Peck ir além, até os anos 2010, quando um negro assumiu o comando do país mais poderoso do mundo, seguindo uma premonição lançada nos anos 1960. Não foi uma conquista necessariamente boa, já que eventos de racismo ainda ocorrem, em especial tendo a polícia como envolvida.

Em um dos vídeos de arquivo, Baldwin discursa para uma plateia que aparenta ser a de uma universidade. As imagens, inseridas em diversos momentos do longa, são em preto e branco. No final, se revelam coloridas. Outro sinal: o que parece antigo continua atual.

O escritor tem olhos expressivos. Atrai a atenção do espectador e, na época, a de celebridades, como Marlon Brando e Bob Dylan, que participaram de alguma forma da luta pelos direitos civis. O documentário é narrado por Samuel L. Jackson, com um tom de voz discreto. Sua presença só é percebida quando exposta nos créditos finais.

Eu Não Sou Seu Negro ainda situa o racismo na cultura americana, especialmente na sétima arte. Trata-se de um ótimo complemento às abordagens sobre o tema que o audiovisual deu este ano, com a ajuda da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, de maneira espontânea ou pressionado pela falta de diversidade em sua premiação no ano anterior. Merece ser visto, mesmo que isoladamente.

(I Am Not Your Negro, , 2016) Dirigido por Raoul Peck.

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