Tá Chovendo Hambúrguer 2

Alimentos do bem

Depois da chuva interminável de alimentos ultraprocessados, a ilha Boca da Maré está imprestável. Chester V, dono de uma megacorporação de invenções e ídolo de infância do protagonista Flint, surge como salvador da pátria. Propõe limpar a região, mas necessitando que todo os moradores se mudem temporariamente para o continente. Por trás de sua retórica sedutora, está o desejo em fazer algo suspeito. Curiosamente, a natureza disso só será revelada no início do terceiro ato.

Tá Chovendo Hambúrguer 2 começa imediatamente após o primeiro filme. Há uma retrospectiva incomum da história original. A primeira meia hora envolve muitas idas e vindas. Confirma a submissão de Flint à gigantesca Live Corp, de Chester, onde é convidado a trabalhar. Trata-se de uma crítica às empresas moderninhas, com muitas distrações divertidas, mas que suga a alma do funcionário. O espaço de trabalho do personagem parece uma grande repartição, com várias baias.

O fato é que o jovem inventor acaba incumbido de voltar à ilha para destruir sua máquina fabricante de comida, que está criando um caos que pode atravessar o oceano. Ele junta seus amigos, que têm apenas uma ou outra função pontual, e depois encontra o chefe, mais os sentinelas dele, na Boca da Maré.

O cenário mudou. Agora, os alimentos têm vida e a maioria é saudável, de frutas a legumes. A caminhada inicial situa um misto de apocalipse, pelas casas abandonadas, e ao estilo Jurassic Park, com muita vegetação e alimentos-animais que às vezes lembram dinossauros.

A aventura deverá estimular a imaginação das crianças, e só. Não há muitas surpresas. Chester V manipula o discípulo a se afastar dos amigos, que descobrem não haver perigo na convivência com criaturas da ilha, algo pregado pela Live Corp desde que assume o controle dela.

O panfletarismo sobre comer saudavelmente inexiste, mas há a lição de respeito aos animais, principalmente aos filhotes, mesmo que eles sejam excêntricos. Nesse contexto, um morango fofo é o que(m) mais chama atenção.

Há algumas concepções estranhas, como um camarão, animal normalmente morto para ser comido, virar um chimpanzé, e uma aranha gigante em forma de hambúrguer, quando amansada e compreendida, se comportar como cachorro. Nos créditos finais, uma placa da ilha inclui os animais na contagem de habitantes, como se fossem gente. O assunto não foi tratado em nenhum momento, anteriormente.

Flint ainda se estranha com o pai em diversos momentos, excluindo-o da ação com a desculpa de protegê-lo, por ser um “velho” de cinquenta e poucos anos. Um tratamento sem parâmetros, que mais serve para que Tim tenha uma trama à parte com pepinos e expresse seu desejo em finalmente pescar com o filho. Essa situação acaba gerando uma relação interessante, do pai solitário e, do outro lado, o jovem inventor criando uma sutil ligação paternal com Chester V.

Os animais-alimentos até que cumprem seu papel, mas é uma pena que os coadjuvantes humanos fiquem escanteados. A lembrança de que Flint e Sam, a moça do tempo, formam um casal se dá apenas no começo. Depois que o enredo é estabelecido, o que menos parece é que eles têm um namoro.

Talvez o público-alvo não termine o filme sedento em comer morangos ou pepinos, mas isso não torna Tá Chovendo Hambúrguer 2 ruim. É uma continuação correta, com um marshmallow aqui e um taco mexicano acolá para lembrar que o filme anterior era, pelo menos, mais delicioso.

(Cloudy with a Chance of Meatballs, , 2013) Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller.

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