Sem Dor, Sem Ganho

Trapézios do crime

Possuir tudo o que se deseja é um luxo, seja corpo ou dinheiro. Em Sem Dor, Sem Ganho, a busca é dupla, e não se dá tão fácil. Daniel Lugo (Wahlberg), um marombeiro professor de academia, quer preencher a lacuna e viver o sonho americano. É narcisista e ambicioso, frequentando em uma palestra de autoajuda e se guiando nos ditados dela para continuar tentando avançar, o que, no caso, envolve golpes em pessoas ricas. Até reunir um grupo com mais dois caras, fisicamente semelhantes, para tirar dinheiro de um aluno, o empresário colombiano Victor Kershaw (Shalhoub), em uma operação que considera garantida.

Dirigido por Michael Bay, a assinatura do cineasta é inconfundível, com câmeras lentas, cores quentes, contra-plongées e travellings recorrentes. Os personagens são caricatos ao extremo, das loiras aos marombeiros burros. No caso do segundo grupo, é o que dá tônica ao filme, em parte comédia, pelos erros amadores do trio liderado por Lugo.

Os coadjuvantes se revezam em relativo destaque. Dos golpistas, Adrian (Mackie) tem problemas de ereção por excesso de esteroides; quando toma uma injeção corretiva, fica desinteressante, mesmo arranjando um casamento depois. O ex-presidiário Paul Doyle (Johnson), viciado em drogas e católico fervoroso, possui os contornos mais interessantes. Seus dilemas tomam conta da tela, por mais que a passagem no cativeiro se alongue e o intérprete seja limitado, o que contribui mais quando a ações descambam para a comédia, e ele precisa mostrar que é ignorante. Mark Wahlberg, o líder “natural”, cumpre tabela a maioria das vezes, não entregando nada extraordinário.

A crítica à cobiça patriótica dura até certo ponto. Miami é uma bagunça, a polícia é negligente, mas, de repente, surge a confiança às instituições, quando os músculos não serão suficientes para lidar com os problemas. Os dez minutos finais, incrivelmente resumidos, incluem um outro gênero para completar a história. No restante, o foco é a ação do crime, envolvendo manipulação, sequestro e violência.

Sem Dor, Sem Ganho tenta tirar o espectador da narrativa surreal com frequência, lembrando que é baseado em fatos reais, o que talvez seja uma chateação. A primeira hora é totalmente diferente da segunda, mais grave. Não há mocinhos, embora é possível se pegar, eventualmente, torcendo pelo trio de brutamontes. Afinal, eles são humanizados.

Dadas as devidas proporções, Michael Bay fez seu Fargo: Uma Comédia de Erros. Não tem o talento dos irmãos Coen e é bem inconstante, mas trata-se de um trabalho no mínimo decente, algo raro em sua carreira.

(Pain & Gain, , 2013) Dirigido por Michael Bay. Com: Mark Walhberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Tony Shalhoub, Ed Harris, Rob Corddry, Rebel Wilson, Ken Jeon. 

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