Círculo de Fogo

Destruição antes da dominação

No fundo do Oceano Pacífico, perto de Guam, monstros gigantes saem de uma fenda para infernizar a vida as pessoas, destruindo cidades costeiras. Robôs, de tamanho semelhante, são criados para combatê-los. Os anos se passam, a sociedade se molda à rotina, o número de visitantes indesejáveis aumenta e questões políticas dão prazo de validade a esse modelo ofensivo.

A introdução de “Círculo de Fogo” é rápida e eficaz, delimitando situações para uma história mais adiantada, onde a extinção da raça humana está em jogo. A base está no controle dos robôs, que precisa ser feito por duas pessoas, usando conexões neurais. Elas precisam ser compatíveis entre si para a operação funcionar. A relação implica em conhecimento mútuo e intimidade, já que a máquina força que um entre nos pensamentos e memórias do outro.

O condutor Raleigh (Hunnam) retorna à corporação em um momento de desorientação mundial. No passado, operava o Gipsy Danger com o irmão, que acabou morrendo durante uma batalha. Dessa relação, pouca força dramática é extraída. A questão é até deixada de lado no presente, quando Mako Mori (Kikuchi) se encaminha para ser a nova parceira, e os problemas dela ficam em primeiro plano.

Mako tem uma questão antiga que é adicional para que o superior a não a libere como piloto. Gerando uma das cenas mais bonitas do longa, no flashback em que ela, criança, foge sozinha de um monstro na cidade destruída. Sua fraqueza seria justificativa para Raleigh tentar guiá-la na cabine, mas as instruções são repetitivas e irritantes, contradizendo a premissa da confiança sem palavras que a dupla de um robô obtém ao se tornar neuralmente compatível.

Por trás da trama entre gigantes, a dinâmica entre seres humanos é o pilar do filme. Há muitos vínculos familiares, especialmente entre pais e filhos, na corporação, que também é vista como uma base militar. Paralelamente, dois pesquisadores buscam informações vitais à guerra por um experimento. Quando não fazem isso, servem de alívio cômico.

A ação já aparece nos primeiros minutos, mas abusa de batalhas marítimas para economizar recursos. O duelo mais completo acontece em Hong Kong, quando os guerreiros têm uma avenida larga, rodeada por prédios iluminados, e utilizam elementos comuns para se armar, como contêineres. Durante a destruição, encontra-se tempo para uma piada visual, no braço mecânico que atravessa meio prédio e movimenta um objeto de bolinhas, dentro de um escritório, sem encostá-lo.

A condução da trama se dá naturalmente, mas as lutas causam certa confusão quando contém mais de dois participantes. Os animais são praticamente iguais, separados por categorias subjetivas e algum poder que aprendem conforme a evolução da batalha. Dos robôs – existem uns cinco – dá para captar a característica deles e de seus pilotos rapidamente, e só, o que é pouco.

“Círculo de Fogo” não é um entretenimento bruto. Tem preocupação de ligar A a B, especialmente no começo, mas poderia expandir certas questões (a relação entre Mori e Stacker) e ignorar outros (o sujeito que implica com Raleigh).

De costa a costa, o filme não afunda, mas também não nada de braçada.

(Pacific Rim, , 2013) Dirigido por Guillermo del Toro. Com: Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Max Martini, Ron Perlman.

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