RED 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos

Balas e beijos

A reunião de atores mais velhos continua. Fora essa marca, a mais marcante da franquia é a troca de tiros: transforma superfícies verticais em verdadeiro queijos suíços, nunca atingindo os alvos. O prazer pela destruição em si é flagrante.

A trama de RED 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos troca alguns elementos, mas continua igual em estrutura. Saem as cidades americanas por cartão postal, entram capitais mundiais, com transições em quadrinhos, referenciando a origem desse universo. Os aposentados agora são confundidos com terroristas nucleares e perseguidos por mais nacionalidades, de ingleses a russos. Tem tiro, perseguição de carros e humor nonsense. A receita de um bolo que precisa continuar a ter estômagos famintos.

Durante o vaivém, o relacionamento entre ex-agente Frank (Willis) e a civil Sarah (Parker) tem novos picos. Embora comece irritantemente protegida, a moça se torna mais independente, liderando investidas de maneira inverossímil. É preciso aceitar que ela tenha ganho algumas habilidades, como dirigir um carro antigo em perseguição ou assumir disfarces sem fracassar (o único que não funciona se dá mais para fins de humor). O casal pratica ciúme entre si, beijando outras bocas e seguindo o plano, como se nada tivesse acontecido. Não interessa se o namoro está bem. Ele só serve para essas cenas passageiras. Claro que Sarah não deixa de ser refém em uma oportunidade, pois o roteiro não encontrou alternativa melhor.

A inclusão do coreano Han (Lee), o melhor matador de aluguel do mundo, serve para satisfazer o público asiático, grande contribuinte em bilheterias de filmes americanos. O personagem protagoniza algumas cenas puxadas, mas é logo superado. Ele é muito parecido com a figura feita por Karl Urban, no primeiro filme: um trabalho externo é mostrado, não sai do pé dos mocinhos e, por fim, começa a diferenciar o certo do errado.

O número de viradas é exagerado, ainda mais quando o cientista Bailey (Hopkins) é libertado – facilmente, até – de um manicômio-prisão vigiado pela MI-6, agência de inteligência britânica. Por causa do histórico recente, ele tem esquecimentos e alucinações. Mas por tempo limitado, até deixar de ser conveniente.

Catherine Zeta-Jones interpreta uma espiã russa e affair do protagonista no passado, o que fornece mais conflitos à relação entre Frank e Sarah. Ela enfraquece muito da metade de sua participação ao final, quando não há tempo para entender suas motivações frente a tantas reviravoltas.

RED pode repetir a fórmula em um terceiro filme, mas quais mudanças irrelevantes fará para continuar enganando, com doses genéricas de ação e comédia? Talvez seja a hora de as autoridades perceberem que estão sempre armando para essa gente, e deixá-la, enfim, curtir uma vida tranquila, apenas recebendo o cheque do seguro social.

(RED 2, , 2013) Dirigido por Dean Parisot. Com: Bruce Willis, Helen Mirren, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Anthony Hopkins, Lee Byung-hun, Catherine Zeta-Jones, Neal McDonough, David Thewlis, Brian Cox.

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RED: Aposentados e Perigosos

Trabalhos pós-aposentadoria

Frank Moses (Willis) é inativo de muitas formas, aparentemente. Vive no subúrbio e tem uma vida monótona. Aposentado, arranja desculpas para conversas com a telefonista do seguro social. Está gostando dela sem nunca ter realizado um encontro, pois moram em cidades diferentes.

Certo dia, homens fortemente armados invadem e destroem sua casa. A neutralização rápida dos invasores mostra que Moses não é um homem comum. Sintetizando: foi atacado pelo ex-patrão, a CIA, que, por algum motivo, decidiu que ele sabia demais e não deveria continuar vivendo.

RED: Aposentados e Perigosos possui uma trama acessível no geral, mas confusas nos pormenores. O protagonista vai ao encontro de Sarah Ross (Parker), o flerte telefônico, e força a acompanha-lo porque o contato também a tornou-lhe alvo. O agente William Cooper (Urban) está na cola deles; tem acesso a rastreamentos e consegue controlar a polícia. Portando uma lista de nomes, de gente executada ou a fazê-lo, os mocinhos viajam pelos Estados Unidos, reencontram outros espiões aposentados e travam tiroteios de destruição desproporcional, apenas mudando o cenário.

Sarah representa o cidadão comum, e eventualmente faz piadas. Sua importância é acessória; quando vira moeda de troca, a real serventia é definida. O caminho do primeiro encontro físico ao relacionamento amoroso é vazio: ela simplesmente vai ficar com o aposentado perseguido.

O antagonista Cooper tem introdução pomposa, mostrando um trabalho de falsa incriminação contra um sujeito qualquer. Fazem isso na CIA? A história principal relata verbalmente a eliminação de uma jornalista, que poderia muito bem ser esse serviço. Depois, aproxima-se melhor dele, exibindo chefia e família, mas as intenções são outras. Não há claridade no que querem que ele seja, mas apenas que saiba o que realmente está acontecendo, já que é um homem que realiza cegamente as ordens que recebe. A primeira missão e a última atitude dele são totalmente distintas.

A visita a outros aposentados pretende uma reunião de nomes fortes e já experientes do cinema, fora o bônus de vê-los dando tiros. Muitos se apresentam com poréns, mas logo colaboram. A figura feita por Morgan Freeman diz que tem câncer terminal, mas como finge a própria morte contra um atirador de aluguel, a doença pode ser uma farsa. John Malkovich interpreta o tipo paranoico, enquanto Helen Mirren é a dona de casa com casos de amor mal resolvidos. No fim das contas, o número de adesões compõe a força contra um inimigo desconhecido, que não é quem aparenta ser.

Os nomes por trás de tudo só aparecerão em um momento bem avançado. Aquele que causa mais surpresa, pela função que ocupa, tem desenvolvimento quase nulo. Quando tem tempo para falar, o faz protocolarmente.

Inúteis à sociedade, mas só à primeira vista: RED: Aposentados e Perigosos segue parte da lógica de Os Mercenários que, coincidentemente, também conta com Bruce Willis – nos dois primeiros filmes. O enredo carece de fascínio, mesmo com a invasão de locais superprotegidos ou uma investigação falsamente pretensiosa.

Bruce Willis poderia se afundar sozinho, mas a ação por equipes está na moda. Talvez o melhor do filme esteja na habilidade em negociar cachês com tantas estrelas. Essa parte ninguém vê, infelizmente.

(RED, , 2010) Dirigido por Robert Schwentke. Com: Bruce Willis, Mary-Louise Parker, Karl Urban, Morgan Freeman, Helen Mirren, John Malkovich, Brian Cox, Richard Dreyfuss.

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Godzilla

Gigantes pela própria natureza

A Terra nunca esteve segura. O perigo estava esperando um bom momento para voltar. Monstros do tipo M.U.T.O., que se alimentam de radiação e, com pulsos eletromagnéticos, neutralizam a energia elétrica de cidades e os motores de helicópteros e tanques, precisam se reencontrar. Não só pelo tamanho, mas pela idade, tornam a raça humana insignificante.

Eis que surge Godzilla, figura temida, mas que age como herói, a fim de acabar com os M.U.T.O. e reequilibrar a cadeia alimentar, apesar de não se alimentar dos inimigos. No filme com o seu nome, o réptil-dinossauro gigante é coadjuvante, tanto no ponto de partida (o buraco nas Filipinas) quanto no desenvolvimento.

A história com humanos é necessária para identificação da plateia. Há gerações de uma família: a mãe morreu em um desastre na usina nuclear, o pai passou anos obcecado pelo que aconteceu e o filho se tornou especialista antibombas do exército, onde verá a paranoia do passado tomar forma.

A catástrofe se passa, basicamente, nos países banhados pelo Pacífico, homenageando a terra natal, o Japão, e partindo para os Estados Unidos, de onde é a maioria dos personagens. Ford (Taylor-Johnson), o filho militar, é quase uma figura onipresente, pingando da Ásia ao Havaí e, finalmente, terminando na Califórnia, bem quando ocorre a nova ação dos monstros. Ele precisa reencontrar a família que formou, com esposa e filho. Qualquer outra desculpa, mesmo por sua especialidade, é para que participe de investidas e sobreviva. Serve mais como os olhos do público do que qualquer outra coisa.

De cientistas com olhos arregalados a familiares que desejam reencontrar seus entes, o filme tem cenas bonitas de pontos de vista. De um personagem sob máscara de gás, testemunhando o M.U.T.O. renascer, a descida de paraquedas na São Francisco escura. O som e a fumaça ao redor desta cena criam um torpor momentâneo. Crianças – com exceção do inexpressivo filho de Ford – também ganham vez, percebendo o novo perigo quando os adultos olham para outro lado.

A destruição de cidades é eclipsada pela noite – a maioria das cenas é nesse período -, e por cortes, mostrando outra coisa acontecendo. As lutas descomunais acontecem por pouco tempo, e possui rodadas. Às vezes, uma não é completada aos olhos da câmera, que já parte para outra cidade, à espera dos mesmos monstros. O que eles fazem é pouco importante até o clímax. Aí, vale comparar Godzilla caído ao soldado isolado, que trocam até olhares.

Godzilla tem fragmentos interessantes. No geral, poderia dar mais visibilidade aos monstros e menos aos humanos, que são desinteressantes. Assim, mais cidades poderiam ser destruídas, sem a menor preocupação, criando um ambiente propício a mais batalhas.

(Godzilla, , 2014) Dirigido por Gareth Edwards. Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Bryan Cranston, Elizabeth Olsen, Sally Hawkins, Juliette Binoche, David Strathairn.

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Os Mercenários 3

Renovação inconveniente

Não contando Jet Li, é possível estabelecer cinco membros regulares na franquia Os Mercenários: Stallone, Statham, Lundgren, Couture e Crews. Contudo, o grupo já teve mais de vinte integrantes. Quase dois times de futebol. Os pôsteres, inflacionados, incluíam vilões e coadjuvantes externos. Em Os Mercenários 3, é preciso dar um zoom-out para caber todo mundo, mas pelo menos os principais passam de uma dezena.

A introdução consiste em duas missões: resgatar Doc (Snipes), um antiquíssimo membro que estava preso em um quartel do Oriente Médio, e entrar em outro espaço vigiado, para capturar o líder, que depois de revela ex-Mercenário e atual criminoso, chamado Stonebanks (Gibson). Esta investida acaba fracassada; Barney (Stallone) decide demitir todos e formar uma equipe só de novatos. Não dá para entender a dispensa geral – quase todos estão inteiros; só aceitar o próximo passo.

Drummer (Ford) é o novo contato do FBI (Bruce Willis saiu porque brigou com Stallone), que dá outra chance – que na verdade são infinitas – para completar o serviço. Quatro rostos novos, sem carisma, são recrutados. O filme dá espaço gigante às apresentações e os inclui em uma reviravolta. Infla o filme sem torná-lo prazeroso. Um dos iniciados é interpretado pela lutadora de MMA Ronda Rousey, que ganha tempo extra de tela pelo nome construído no esporte. Não adianta, é tão insossa quanto os outros.

Wesley Snipes tem uma ingressão cativante, mas depois some. Tenta-se criar uma rixa com Christmas (Statham), mas ela serve somente para soltar uma série de piadas passageiras. Mel Gibson faz um vilão ameaçador e manipulador. Só que, dirigindo-se a um bando de novatos sem importância, as ideias são nulas. Seu destino será o combate corpo a corpo contra o protagonista, em um cenário chamativo. A cena não dura muito.

No prédio em destruição do terceiro ato, o armamento é variado. A correria por um andar, enquanto enxurradas de balas segue alguém pelas costas, é repetida com mais de um Mercenário. Além do protocolar, o roteiro tenta dar desenvolver personagens aos pares durante a ação, como na interação entre Rousey e Antonio Banderas. Não funciona. O ator espanhol, adicionado à “força” no time, é engraçado no começo, emulando o tipo falastrão.

Os Mercenários 3 tenta ser um pouco mais relevante, mas se enrola em um dos temas – o vigor da juventude contra a experiência da terceira idade -, no qual gasta muito tempo. A equipe original é enxotada, mas está pronta para voltar, sem ressentimentos. Barney é um mau recrutador? Ninguém questiona. Ele termina fazendo brindes, como se nada tivesse acontecido.

Mirando um público mais amplo – tanto que o jorro de sangue é praticamente extinto, em prol do abrandamento da censura – Os Mercenários 3 alterna entre o que estava fazendo anteriormente com o genérico do genérico. Graças aos recrutas, o que era ironicamente ruim ficou pior, pra valer.

(The Expendables 3, , 2014) Dirigido por Patrick Hughes. Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Harrison Ford, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Wesley Snipes, Dolph Lundgren, Randy Couture, Terry Crews, Kelsey Grammer, Ronda Rousey.

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Chasing Ice

Derretimento assistido

James Balog só assiste a programas horríveis ou a televisão americana é 100% de desinformação. A zapeada em noticiários, com “especialistas” invalidando o aquecimento global, compõe o início de Chasing Ice. O sujeito citado acima, fotógrafo de exteriores, é alguém que precisa ver para crer, em vez de se contentar com pesquisas de gente séria. Claro que a maioria da população não tem dinheiro para investir no projeto que ele implementará a seguir, mas a premissa não é das melhores.

O projeto embute a máxima da imagem (no caso, muitas) que vale mil palavras. Balog e sua equipe instalam câmeras em regiões de geleira no hemisfério norte (Islândia, Groelândia e estados americanos do Alasca e Montana) para acompanhar o derretimento delas ao longo de anos. O resultado é impressionante em vários sentidos, mas há todo um processo, descrito neste documentário relativamente curto: são 75 minutos, ao todo.

A estrutura do longa procura dramatizar certos acontecimentos, da parte técnica na instalação de câmeras a um problema de joelho do fotógrafo. O tempo precisa ser preenchido. Às vezes, a questão ambiental fica em segundo plano.

Quando está em foco, ela é um tanto repetitiva. Não tem para onde ir. Há o espanto e a exclamação “é, o aquecimento global”. A expressão “efeito estufa” volta à tona na boca de um pesquisador, embora as entrevistas não sejam foco. Elas só aparecem no final, para congratular o fotógrafo pelo trabalho. Pura vaidade.

Em Chasing Ice, o que se sobressai é a observação. A narração de contexto é útil para conhecer a proporção do estrago nas geleiras, que refletirá no resto do mundo. O assombro é duplo, pois a fotografia é maravilhosa, tanto estática quanto a dinâmica. As escalas vão aumentando; o degelo não respeita enquadramentos. Avança sem parar. Paralelamente, a humanidade faz caminho inverso.

(Chasing Ice, , 2012) Dirigido por Jeff Orlowski.

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