Pantera Negra

A conquista do trono

Em uma nação africana fictícia, oculta do mundo e altamente tecnológica, cuja economia é dependente de um cobiçado metal alienígena, um grupo de cidadãos retorna em uma nave após perder seu monarca, vítima de um atentado terrorista. Mas não estão tão abatidos: em Wakanda, a morte é vista como continuidade, mesmo que em outro plano.

T’Challa (Boseman), o filho do rei, é o possível sucessor, embora líderes de outras tribos possam reivindicar o trono em uma luta. É o que acontece, mas a predominância do personagem permanece. Nesta e em outras sequências iniciais, muitos elementos são apresentados para serem reutilizados posteriormente.

Este universo está pronto para ser integrado ao já estabelecido pela Marvel nos cinemas. Integração, aliás, é um dos principais temas de Pantera Negra. A revelação de Wakanda ao mundo não é uma indagação atual, gerando erros em um passado recente, o que implicou na criação do vilão Killmonger (Jordan) na distante Califórnia. Suas motivações são complexas, visando o bem-estar de oprimidos em outros lugares, mas executadas da pior maneira. Criação de Wakanda por sua exclusão – é parente de um soldado deste país – é também consequência dos males do mundo, aproveitando todo treinamento que obteve pelo exército norte-americano em operações como Afeganistão e Iraque. Esse duelo de escolas está no subtexto durante o combate contra contra T’Challa.

O primeiro ato é diverso. No país imaginário, as descobertas causam estupefação. Paralelamente, o arco de Ulysses Klause (Serkis), o Garra Sônica, apresentado em A Era de Ultron, fica devendo. O ator parece se divertir no papel, mas a missão em torno do roubo de um objeto feito de vibranium não vai a lugar nenhum, confirmado pela virada de Killmonger, que o acompanha. A cena de ação mais inspirada do filme, dentro do cassino, está na primeira hora. As restantes são genéricas.

Shuri (Wright), irmã de T’Challa, é uma grata surpresa: atrevida, divertida e companheira, ela ainda é o cérebro de seu povo, buscando sempre por atualizações tecnológicas. Naka (Nyong’o), o interesse amoroso, atrai por questões periféricas e é somente operacional no drama central. Okyoe (Gurira), chefe da guarda real, é obrigada a fazer escolhas rapidamente e, mesmo assim, se mantém em conflito interno. W’Kabi (Kalluya) é líder de uma tribo que cobra por respostas rápidas sem se importar com detalhes; sua tomada de posição é um tanto rasa. Em sua última cena, tenta inserir dúvida em uma personagem com quem tem relacionamento, que não é lembrado até aquele momento, perante o volume das outras tramas.

Wakanda é colorida e cheia de influências culturais, mas falta ação dentro do ambiente urbano, entre os prédios e o visual cor-de-terra. As cenas se passam mais em espaços naturais afastados ou em interiores forrados de tecnologia. A última rodada do embate entre os Panteras Negras é dentro de uma mina escura, com o considerável uso de computação gráfica.

Crítica social e representatividade são muito válidas. O diálogo de Killmonger usando o suicídio em navios negreiros como exemplo é inesperada. A proibição de visitantes necessitados em Wakanda lembra o Primeiro Mundo em relação aos imigrantes. Por outro lado, a relação à política de Trump, citando pontes e muros, soa óbvia, e a primeira cena pós-crédito é esperada, mas não muito criativa.

Pantera Negra não foge tanto da fórmula Marvel, desperdiça um dos vilões e tem apenas uma cena de ação memorável. Seus personagens são colocados em situações ambíguas frequentemente, desafiando tradições e inaugurando uma nova era entre os wakandianos, o que gera uma história com mais camadas.

Definitivamente, a morte não é uma perda, e estes heróis poderão ficar mais fortes no comando dos próprios destinos, se destacando ainda mais em filme compartilhados.

(Black Panther, , 2018) Dirigido por Ryan Coogler. Com: Chadwick Boseman, Michal B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitta Wright, Winston Duke, Sterling K. Brown, Angela Bassett, Forest Whitaker, Andy Serkis, John Kani.

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Star Wars: Os Últimos Jedi

Fuga vigiada

Após a estreia segura e popular da nova trilogia de Star Wars em 2015, com o O Despertar da Força, a mudança na direção e roteiro, deslocando-se para as mãos de Rian Johnson, não foi protocolar. Uma visão diferente foi permitida, e Os Últimos Jedi é, no mínimo, desafiador.

O encontro de Luke Skywalker (Hamill) e as consequências à derrota de Kylo Ren (Driver) vão contra as expectativas de salvador do universo e o vilão mais experiente e perigoso que se supõe, respectivamente. Esta continuação possui desesperanças, assim como O Império Contra-Ataca, mas os adversários nunca estiveram tão próximos entre si, podendo causar uma derrota definitiva e tornar inútil um episódio IX.

O evento principal se concentra no enfrentamento espacial entre a Primeira Ordem e a Resistência. Após a segunda evacuar penosamente de uma base planetária, é perseguida pelo inimigo, que consegue rastreá-la mesmo na velocidade da luz. Todos os personagens, desde Leia (Fisher) a Snoke (Serkis), estão nas naves de batalha. É uma situação de matar ou morrer. Ou fugir, já que os rebeldes estão em desvantagem.

O tema do filme diz respeito ao choque de gerações. Os jovens, representados por Poe Dameron (Isaac) e Kylo, são destemidos, mas impulsivos e arrogantes. Precisam passar pelos superiores para defender o que acreditam. Mas dão com a cara na parede e falham, mostrando que a sabedoria dos mais longevos deve ser ouvida. Por outro lado, há a necessidade pela renovação, que representa a situação da franquia, na passagem de bastão. Conflitante, já que a imaturidade ainda reina.

A ação estelar dá logo as caras, mas as relações humanas não seguem o caminho esperado. Luke tornou-se um indivíduo relutante, afastado da prática Jedi. Quando se abre um pouco e propõe treinar Rey, as relações se invertem: quem tem mais que aprender é o irmão de Leia. A desorientada garota, enquanto isso, tem a força dentro de si e fará as descobertas por meios próprios.

Durante o segmento, o humor atrevido na suposta percepção da Força, e é estendido em outras partes, como quando um ferro de passar roupas é confundido com uma nave. Mas passa do ponto, atingindo o rídiculo quando Rey se comunica mentalmente com Kylo e é surpreendida com um dorso desnudo. Há bichinhos engraçadinhos e igualmente inúteis – os porgs –, feitos para vender bonecos, enquanto que as raposas de cristal têm alguma função. A trama paralela entre Finn (Boyega) e a recém-adicionada Rose Tico (Tran) também contém piadas, e alguns diálogos terríveis; poderia muito bem ser enxugada.

Por ser um filme da Disney e direcionado a vários públicos, o sangue é evitado, mas espertamente representado na cor vermelha, dominante no pôster de divulgação e em alguns ambientes, como o salão de Snoke e o planeta de sal da ação final. A morte passa longe de ser uma sugestão – muitas vidas se perdem na imperícia de Poe, logo na abertura, embora não haja pesar do público pela maioria delas.

Das referências, muitas são práticas, principalmente no que envolve as escolhas de Luke. A última cena dele é poética, evitando uma saída convencional, que envolveria o combate corpo a corpo com o inimigo. O terceiro ato é grandioso, enquadrando os personagens em um amplo ambiente, ressaltando as belezas deste perante a gravidade da situação.

No elenco, Adam Driver faz um vilão em conflito, que ora parece confiável, ora não, exibindo sua raiva ao ser enganado e escondendo suas intenções por dois terços da história. Daisy Ridley inicia determinada e, conforme avança na descoberta interior de Rey, se torna mais emocional. Carrie Fisher tem uma presença mais representativa, como porto de sabedoria e segurança, embora a saída usada para resgatar Leia de um destino definitivo seja forçada. Harrison Ford não aparece em flashbacks, mas a presença de Han Solo se faz pela simples presença de um objeto.

Arriscado, Star Wars: Os Últimos Jedi é uma obra que mantém a estrutura geral da franquia, mas modifica o interior, mostrando que a Força pode ser obtida por outros caminhos e pessoas. Mesmo que em 2019, quando J.J. Abrams reassumir ao comando e o feijão com arroz voltar a ser realizado, o cardápio especial de 2017 ainda será lembrado.

(Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, , 2017) Dirigido por Rian Johnson. Com: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Benicio Del Toro.

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Kong: A Ilha da Caveira

Segredos da natureza

Quando a casa de um indivíduo recebe visitas inesperadas, a passividade é difícil de ser mantida, mesmo que internamente. Se for de gente desconhecida, seja de recrutadores religiosos ou do exército americano querendo tomar posse, aí que a irritação é inevitável, mesmo para um gorila gigante e sua ilha escondida do mundo no meio do Pacífico.

Kong: A Ilha da Caveira tem um recorte histórico importante. A primeira visita do ser humano civilizado aconteceu, por acaso, no fim da Segunda Guerra Mundial e, depois de algumas tentativas frustradas, uma expedição norte-americana é enviada no início dos anos 1970, logo após a derrota na Guerra do Vietnã. Somente alguns personagens sabem de parte do que enfrentarão. O senso de exploração e consequentes descobertas é um dos charmes do filme.

King Kong defende a ilha de inimigos de toda categoria, convivendo tranquilamente com quem não se mete em seu caminho. Sua presença é necessária àquele ambiente. Apesar da imponência, não é uma figura invencível: sangra e tem arranhões como qualquer ser vivo.

A fotografia é um elemento que se impõe pela inventividade. Os enquadramentos realçam a relação entre monstros, humanos e ambiente. A iluminação opta por um amarelo mais suave do sol e pela claridade indireta, quando se está rodeado pela vegetação densa. O colorido de fontes artificiais é bem usado no vale dos esqueletos, onde o paradeiro de uma ameaça é informado apenas por um flash pulsante. É um filme bonito: muitas imagens poderiam virar quadros na parede da sala.

Com exceção do personagem de John C. Reilly, as outras figuras humanas são ocas ou se apoiam unicamente em um objetivo. Algumas têm uma apresentação instigante, como o executivo da Monarch (Goodman), mas são esquecidos quando chegam na ilha. Outros, a exemplo da cientista oriental que não desgruda de outro personagem não conheca, entra muda e sai praticamente calada. Os “mocinhos” interpretados por Tom Hiddleston e Brie Larson criam uma falsa liderança; a segunda ainda inicia uma inverossímil cumplicidade com o macaco gigante. Dos militares, Samuel L. Jackson repete o tipo de papel que mais executou na carreira, transbordando palavrões e sangue nos olhos; atrelado ao contexto do Vietnã, seu Preston Packard fica minimamente interessante. Os subordinados verde-oliva, por sua vez, despertam curiosidade e frustram pelas histórias que não contam.

Kong: A Ilha da Caveira é um eficaz filme de monstro, em batalhas vistosas contra criaturas imprevisíveis e humanos arrogantes. Quem conseguir escapar é porque mereceu.

(Kong: Skull Island,   , 2017) Dirigido por Jordan Vogt-Roberts. Com: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John C. Reilly, Corey Hawkins, John Ortiz, Thomas Mann, Will Brittain, Jason Mitchell.

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Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

Rainha isolada

A chance de um monarca fazer de amigo próximo um servo é tão grande quanto a de um império no auge conceder independência às suas colônias. Graças a um ambiente de burocrático e desdenhoso, o primeiro acontece com a Rainha Vitória (Dench) e Abdul (Karim), um civil indiano que é ordenado a sair de seu país e participar de uma cerimônia diplomática na Grã-Bretanha, simplesmente porque era alto, característica requerida por um oficial colonial.

As motivações da viagem inusitadas. Parece privilégio, mas é uma tarefa subalterna. Abdul e um conterrâneo, que também vai na bagagem, entram no salão, realizam o combinado e vão embora, sem direito a nenhum agrado. Contudo, durante o trajeto, a regra de não fitar os olhos da monarca é quebrada e uma porta se abre ao estrangeiro.

Vitória está idosa, perdeu o marido há trinta anos e conta apenas com abutres, isto é, familiares que só esperam sua morte para assumir o poder. Não possui pessoas de confiança, participa de rotinas fatigantes e espera seu fim. O olhar proibido a tirou do torpor, seguido por quebras de protocolo e costumes. Abdul recebe convites de se juntar a ela, toma a iniciativa em conversas, compartilha conhecimentos e logo se torna um “professor espiritual”.

A história é leve, talvez até demais. A gravidade surge quando não há saída, mas, mesmo assim, arruma-se espaço para algum pequeno gracejo. Em segundo plano, há a submissão da Índia aos britânicos, que pouco é abordada. Nesse contexto, é arriscado amenizar o papel político de Vitória, que afirma desconhecer as ocorrências em territórios além-mar, mas é chamada de Imperatriz da Índia. O peso recai sobre os homens ao redor, especialmente o Primeiro Ministro (Gambon), que pouco aparece.

A primeira hora depois da apresentação se resume à subida social de Abdul e consequente perplexidade dos integrantes da casa real, que é palco para troça, um pouco repetitiva. Os vilões emergem depois, quando a soberana supera os limites na adoção da cultura indiana. Curioso, já que nas refeições quase todos os pratos possuem nomes franceses. A influência estrangeira pode entrar, mas depende do país.

Baseado no título, a divisão de protagonismo entre dois indivíduos é desigual. Quando não é passivo, Abdul se limita ao estereótipo do indiano orgulhoso por sua cultura. Ele é uma figura unidimensional, sem aspirações fora da estadia prolongada. As mentiras que solta têm mais a ver com a reação da rainha do que com sua participação nelas. O colega Mohammed (Akhtar) é insuficiente no papel de escada e sofre interrupção em uma declaração, quando o tom ameaça ser sério. Para piorar, uma família é adicionada sem que haja uma evolução narrativa.

Judi Dench carrega o filme nas costas, através de um personagem que já interpretou, há vinte anos, em Sua Majestade, Mrs. Brown. Transmite desapego e desleixo no início cômico, passando para gentileza e energia. Possui uma cena de maior intensidade quando a trama aperta, em um discurso relativamente longo, que a garantiria em alguma premiação. A fala só é inverossímil na memorização de tantos dados estatísticos, mas não é problema dela.

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha é inofensivo até demais, para um acontecimento descoberto apenas em 2010 – a existência havia sido apagada pela coroa inglesa no início do século XX. Funciona na retratação de época, mas só a visual – não à toa, foi indicada a duas categorias técnicas do Oscar 2018 –, pois na contextualização histórica prefere ser chapa branca.

(Victoria & Abdul,  , 2017) Dirigido por Stephen Frears. Com: Judi Dench, Ali Fazal, Tim Pigott-Smith, Eddie Izzard, Adeel Akhtar.

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Extraordinário

Aprendizado extracurricular

Durante a infância, sair um pouco de casa e conhecer novas pessoas se faz necessário para o desenvolvimento humano. Normalmente, o novo ambiente de convivência será a escola. Para Auggie (Tremblay), esse momento é adiado até os dez anos de idade, depois de um período de educação particular com a mãe de professora.

A demora se dá porque ele nasceu com uma deformidade facial. Passou por várias cirurgias, mas ainda há imperfeições. A família, justificadamente protetora, finalmente o libera para o mundo. Os medos se confirmam em forma de estranhamento e bullying, além da solidão. O garoto é diferente em um ângulo, mas igual no resto. O posterior tratamento será mais importante que a primeira impressão.

Dirigido por Stephen Chbosky, Extraordinário consegue ser cativante nos pensamentos do protagonista. Ao mesmo tempo em que abaixa a cabeça, o garoto possui mecanismos para conhecer as pessoas em sua volta, como observar os sapatos que usam. A zombaria começa mais suave do que poderia ser, panelinhas aumentam o isolamento, mas as consequências às boas ações mostram que há colegas gentis. Os conteúdos dados em aula metaforizando as dificuldades no ambiente são um tanto forçadas e repetidas mais de uma vez.

A surpresa está na divisão por capítulos, representando a visão de alguns personagens. Via (Vidovic), a irmã mais velha, possui um desenvolvimento significativo, abordando sua insatisfação por não receber um pingo de atenção dos pais, dedicada a Auggie. Na maior parte do tempo, fica calada, procurando distrações ou até assumindo um papel materno secundário, ajudando o garoto. Minoritariamente, deixa os sentimentos extravasarem. Das outras seções, a do melhor amigo do protagonista não tem grandes surpresas, enquanto que a da amiga de Via explica o motivo de ela ter se afastado, enfatizando a carência dos personagens.

Entre conquistas e decepções, o conflito durante o Halloween serve mais para retornar o protagonista à vulnerabilidade original, a fim de que outras engrenagens se movam, incluindo a redenção de um coadjuvante. Enquanto isso, ele faz amizade com uma menina, que pouco colabora aos acontecimentos.

Prestes a arrumar um namorado, Via comente uma mentira, que mas diz sobre o desejo de ser filha única e receber atenção exclusiva do que outra coisa. Antes de essa definição ser confirmada, o receio era que a narrativa percorresse um caminho convencional, de descoberta do personagem-alvo, conflito entre as partes e posterior conciliação. Surpreendentemente, o erro da garota só diz respeito a ela.

No começo da segunda metade, Auggie é quase esquecido, enquanto outros arcos são evoluídos. No retorno a ele, uma resolução se dá sob a ideia de que a personalidade das crianças é influenciada pelos adultos. Acertada, embora a cena em questão pareça ter sido extraída de alguma novela brasileira infantil, pela caricatura dos personagens envolvidos.

Extraordinário emociona naturalmente no começo e artificialmente no final. O incidente com uma figura não humana, quase periférica, é gratuito e há ainda mais algumas cenas clichês com o mesmo efeito. A conclusão é arrastada; a viagem ao acampamento, que redunda uma situação, poderia facilmente inexistir.

Jacob Tremblay cativa, sob quilos de maquiagem, desde o primeiro minuto. Julia Roberts é importante como apoio aos jovens e tem o ápice na relação mãe e filha. Owen Wilson é operante, sem arco próprio, e ainda repete um cacoete típico dele em um cochicho; um ator menos conhecido e minimamente eficiente poderia baratear o orçamento. Izabela Vidovic, por sua vez, tem a melhor atuação, com expressões naturais e envolventes.

Respeitando o drama de Auggie e, ao mesmo tempo, o de seus colegas e parentes, Extraordinário faz um retrato multifacetado, mostrando a crueldade das provocações e do abandono, mas também inclui entendimento. Poderia ser menos manipulativo nas emoções, mas se comparado ao que prenunciava no trailer, a evolução está de bom tamanho.

(Wonder,   , 2017) Dirigido por Stephen Chbosky. Com: Jacob Tremblay, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Noah Will, Danielle Rose Russell, Bryce Gheisar.

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