O Besouro Verde

Herói por capricho

Britt Reid (Rogen) é um milionário que passa as horas frequentando festas, atraindo mulheres e bebendo. Certo dia, seu pai morre e deixa, além da fortuna, uma empresa jornalística. Perdido, o rapaz acaba chamando de volta – havia dispensado todos os empregados de sua mansão – o mecânico Kato (Chou), por um motivo banal. Este acaba, aleatoriamente, mostrando tecnologia que havia desenvolvido anteriormente. O herdeiro se empolga, e decide sair às ruas junto do novo colega para combater o crime. Não por algum senso de justiça, mas para curtir o momento, como se fosse a continuação de uma farra.

O Besouro Verde é igual à clássica trama de policiais com personalidades opostas que precisam se resolver para cumprir o expediente. Faz-se a troca por sujeitos não tão preparados, que se portam como vigilantes, com direito a uniforme, resultando na adaptação de uma clássica série, originalmente radiofônica, que foi para a televisão.

A fórmula não é bem executada. A imprudência de Reid é bastante infantil, em um personagem que dificilmente transmite identificação. Kato é o habilidoso da dupla, não ganha o crédito devido e continua a fazer companhia sem o público nunca saber se é por dinheiro ou por gostar do ofício. Ambos não estão em sintonia e nem possuem ambições. Mesmo o plano de Reid em manipulando as manchetes do jornal para torna-los vilões, como forma de divulgação, é uma saída pouco inspirada, aumentando ocamente o tempo de história.

O vilão é um traficante de drogas interpretado por Christopher Waltz. Sua cena inicial, em que trava um longo diálogo com um bandido menor, antes de revelar sua faceta, é uma reprodução da principal cena do ator em Bastardos Inglórios. Depois dela, o personagem se perde em dilemas com identidade, enquanto decide porcamente como deter o antagonista.

Seguindo o esquematismo, há o interesse amoroso (Diaz), que se torna secretária do riquinho. Inteligente, faz as vezes de investigadora traçando prováveis caminhos do Besouro Verde, depois destacado no jornal com este nome, como trabalho à publicação. Os resultados servem de orientação ao próprio Reid, que joga nos dois campos sem revelar a identidade secreta. O mais provável era que a moça descobrisse a verdade, mas permanece alienada, servindo de paixão não correspondida, servindo de matéria em uma piada sem graça envolvendo assédio, redundado em quão o chefe é escroto.

A direção é de Michel Gondry, que cria algumas composições interessantes, como a câmera girando no próprio eixo para mostrar uma garagem cheia de carros, a atmosfera da festa inicial ou a tela dividida para marcar o grande número de capangas que deseja caçar os heróis. Mas o entusiasmo para por aí.

A montagem é problemática. Em uma perseguição automobilística, um carro rival se depara com um veículo estacionado a frente em determinado ponto, fica prestes a colidir e sair da pista. Um corte depois, o obstáculo misteriosamente some e a cena segue. Pior que isso é a sequência do pen drive, com um dado sigiloso que precisa ser divulgado ao mundo, via internet. Um personagem conecta-o ao computador e demora mais que o necessário em obter uma resposta, enquanto a pancadaria está rolando em um cômodo anexo. Um monitor é mostrado, sucedendo vários processos inexplicáveis para a obtenção do arquivo.

Depois de Reid e Kato ganharem atenção e realmente ficarem em perigo, o roteiro ressuscita questões adormecidas por Scanlon (Harbor), um procurador com interesses políticos que se apresenta no início e demora muito para reaparecer. A cena no restaurante, quando se reúne com Britt, é constrangedora, servindo basicamente para explicar tudo o que aconteceu em uma só tacada, da forma mais preguiçosa possível.

A cereja em cima do bolo ainda vem na última sequência de ação, envolvendo a destruição generalizada de um cenário, contrariando o ditado do “menos é mais”. Uma parte dela pelo menos é promissora, propondo uma caçada na sala de prensa do jornal impresso, entre maquinários e grandes bobinas de papel. Uma “homenagem” a esse ofício.

Pedido para ser esquecido, O Besouro Verde é a pior combinação de elementos, em uma aventura derivada que Seth Rogen assume diversas funções – consta também em roteiro e produção. O ator tem a ambição subindo à cabeça e não vê o desastre sendo realizado. A boa notícia, pelo menos, é que não haverá continuação.

(The Green Hornet, , 2011) Dirigido por Michel Gondry. Com: Seth Rogen, Jay Chou, Cameron Diaz, Tom Wilkinson, Christoph Waltz, David Harbour, Edward James Olmos.

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Pantera Negra

A conquista do trono

Em uma nação africana fictícia, oculta do mundo e altamente tecnológica, cuja economia é dependente de um cobiçado metal alienígena, um grupo de cidadãos retorna em uma nave após perder seu monarca, vítima de um atentado terrorista. Mas não estão tão abatidos: em Wakanda, a morte é vista como continuidade, mesmo que em outro plano.

T’Challa (Boseman), o filho do rei, é o possível sucessor, embora líderes de outras tribos possam reivindicar o trono em uma luta. É o que acontece, mas a predominância do personagem permanece. Nesta e em outras sequências iniciais, muitos elementos são apresentados para serem reutilizados posteriormente.

Este universo está pronto para ser integrado ao já estabelecido pela Marvel nos cinemas. Integração, aliás, é um dos principais temas de Pantera Negra. A revelação de Wakanda ao mundo não é uma indagação atual, gerando erros em um passado recente, o que implicou na criação do vilão Killmonger (Jordan) na distante Califórnia. Suas motivações são complexas, visando o bem-estar de oprimidos em outros lugares, mas executadas da pior maneira. Criação de Wakanda por sua exclusão – é parente de um soldado deste país – é também consequência dos males do mundo, aproveitando todo treinamento que obteve pelo exército norte-americano em operações como Afeganistão e Iraque. Esse duelo de escolas está no subtexto durante o combate contra contra T’Challa.

O primeiro ato é diverso. No país imaginário, as descobertas causam estupefação. Paralelamente, o arco de Ulysses Klause (Serkis), o Garra Sônica, apresentado em A Era de Ultron, fica devendo. O ator parece se divertir no papel, mas a missão em torno do roubo de um objeto feito de vibranium não vai a lugar nenhum, confirmado pela virada de Killmonger, que o acompanha. A cena de ação mais inspirada do filme, dentro do cassino, está na primeira hora. As restantes são genéricas.

Shuri (Wright), irmã de T’Challa, é uma grata surpresa: atrevida, divertida e companheira, ela ainda é o cérebro de seu povo, buscando sempre por atualizações tecnológicas. Naka (Nyong’o), o interesse amoroso, atrai por questões periféricas e é somente operacional no drama central. Okyoe (Gurira), chefe da guarda real, é obrigada a fazer escolhas rapidamente e, mesmo assim, se mantém em conflito interno. W’Kabi (Kalluya) é líder de uma tribo que cobra por respostas rápidas sem se importar com detalhes; sua tomada de posição é um tanto rasa. Em sua última cena, tenta inserir dúvida em uma personagem com quem tem relacionamento, que não é lembrado até aquele momento, perante o volume das outras tramas.

Wakanda é colorida e cheia de influências culturais, mas falta ação dentro do ambiente urbano, entre os prédios e o visual cor-de-terra. As cenas se passam mais em espaços naturais afastados ou em interiores forrados de tecnologia. A última rodada do embate entre os Panteras Negras é dentro de uma mina escura, com o considerável uso de computação gráfica.

Crítica social e representatividade são muito válidas. O diálogo de Killmonger usando o suicídio em navios negreiros como exemplo é inesperada. A proibição de visitantes necessitados em Wakanda lembra o Primeiro Mundo em relação aos imigrantes. Por outro lado, a relação à política de Trump, citando pontes e muros, soa óbvia, e a primeira cena pós-crédito é esperada, mas não muito criativa.

Pantera Negra não foge tanto da fórmula Marvel, desperdiça um dos vilões e tem apenas uma cena de ação memorável. Seus personagens são colocados em situações ambíguas frequentemente, desafiando tradições e inaugurando uma nova era entre os wakandianos, o que gera uma história com mais camadas.

Definitivamente, a morte não é uma perda, e estes heróis poderão ficar mais fortes no comando dos próprios destinos, se destacando ainda mais em filme compartilhados.

(Black Panther, , 2018) Dirigido por Ryan Coogler. Com: Chadwick Boseman, Michal B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitta Wright, Winston Duke, Sterling K. Brown, Angela Bassett, Forest Whitaker, Andy Serkis, John Kani.

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Star Wars: Os Últimos Jedi

Fuga vigiada

Após a estreia segura e popular da nova trilogia de Star Wars em 2015, com o O Despertar da Força, a mudança na direção e roteiro, deslocando-se para as mãos de Rian Johnson, não foi protocolar. Uma visão diferente foi permitida, e Os Últimos Jedi é, no mínimo, desafiador.

O encontro de Luke Skywalker (Hamill) e as consequências à derrota de Kylo Ren (Driver) vão contra as expectativas de salvador do universo e o vilão mais experiente e perigoso que se supõe, respectivamente. Esta continuação possui desesperanças, assim como O Império Contra-Ataca, mas os adversários nunca estiveram tão próximos entre si, podendo causar uma derrota definitiva e tornar inútil um episódio IX.

O evento principal se concentra no enfrentamento espacial entre a Primeira Ordem e a Resistência. Após a segunda evacuar penosamente de uma base planetária, é perseguida pelo inimigo, que consegue rastreá-la mesmo na velocidade da luz. Todos os personagens, desde Leia (Fisher) a Snoke (Serkis), estão nas naves de batalha. É uma situação de matar ou morrer. Ou fugir, já que os rebeldes estão em desvantagem.

O tema do filme diz respeito ao choque de gerações. Os jovens, representados por Poe Dameron (Isaac) e Kylo, são destemidos, mas impulsivos e arrogantes. Precisam passar pelos superiores para defender o que acreditam. Mas dão com a cara na parede e falham, mostrando que a sabedoria dos mais longevos deve ser ouvida. Por outro lado, há a necessidade pela renovação, que representa a situação da franquia, na passagem de bastão. Conflitante, já que a imaturidade ainda reina.

A ação estelar dá logo as caras, mas as relações humanas não seguem o caminho esperado. Luke tornou-se um indivíduo relutante, afastado da prática Jedi. Quando se abre um pouco e propõe treinar Rey, as relações se invertem: quem tem mais que aprender é o irmão de Leia. A desorientada garota, enquanto isso, tem a força dentro de si e fará as descobertas por meios próprios.

Durante o segmento, o humor atrevido na suposta percepção da Força, e é estendido em outras partes, como quando um ferro de passar roupas é confundido com uma nave. Mas passa do ponto, atingindo o rídiculo quando Rey se comunica mentalmente com Kylo e é surpreendida com um dorso desnudo. Há bichinhos engraçadinhos e igualmente inúteis – os porgs –, feitos para vender bonecos, enquanto que as raposas de cristal têm alguma função. A trama paralela entre Finn (Boyega) e a recém-adicionada Rose Tico (Tran) também contém piadas, e alguns diálogos terríveis; poderia muito bem ser enxugada.

Por ser um filme da Disney e direcionado a vários públicos, o sangue é evitado, mas espertamente representado na cor vermelha, dominante no pôster de divulgação e em alguns ambientes, como o salão de Snoke e o planeta de sal da ação final. A morte passa longe de ser uma sugestão – muitas vidas se perdem na imperícia de Poe, logo na abertura, embora não haja pesar do público pela maioria delas.

Das referências, muitas são práticas, principalmente no que envolve as escolhas de Luke. A última cena dele é poética, evitando uma saída convencional, que envolveria o combate corpo a corpo com o inimigo. O terceiro ato é grandioso, enquadrando os personagens em um amplo ambiente, ressaltando as belezas deste perante a gravidade da situação.

No elenco, Adam Driver faz um vilão em conflito, que ora parece confiável, ora não, exibindo sua raiva ao ser enganado e escondendo suas intenções por dois terços da história. Daisy Ridley inicia determinada e, conforme avança na descoberta interior de Rey, se torna mais emocional. Carrie Fisher tem uma presença mais representativa, como porto de sabedoria e segurança, embora a saída usada para resgatar Leia de um destino definitivo seja forçada. Harrison Ford não aparece em flashbacks, mas a presença de Han Solo se faz pela simples presença de um objeto.

Arriscado, Star Wars: Os Últimos Jedi é uma obra que mantém a estrutura geral da franquia, mas modifica o interior, mostrando que a Força pode ser obtida por outros caminhos e pessoas. Mesmo que em 2019, quando J.J. Abrams reassumir ao comando e o feijão com arroz voltar a ser realizado, o cardápio especial de 2017 ainda será lembrado.

(Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, , 2017) Dirigido por Rian Johnson. Com: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Benicio Del Toro.

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Kong: A Ilha da Caveira

Segredos da natureza

Quando a casa de um indivíduo recebe visitas inesperadas, a passividade é difícil de ser mantida, mesmo que internamente. Se for de gente desconhecida, seja de recrutadores religiosos ou do exército americano querendo tomar posse, aí que a irritação é inevitável, mesmo para um gorila gigante e sua ilha escondida do mundo no meio do Pacífico.

Kong: A Ilha da Caveira tem um recorte histórico importante. A primeira visita do ser humano civilizado aconteceu, por acaso, no fim da Segunda Guerra Mundial e, depois de algumas tentativas frustradas, uma expedição norte-americana é enviada no início dos anos 1970, logo após a derrota na Guerra do Vietnã. Somente alguns personagens sabem de parte do que enfrentarão. O senso de exploração e consequentes descobertas é um dos charmes do filme.

King Kong defende a ilha de inimigos de toda categoria, convivendo tranquilamente com quem não se mete em seu caminho. Sua presença é necessária àquele ambiente. Apesar da imponência, não é uma figura invencível: sangra e tem arranhões como qualquer ser vivo.

A fotografia é um elemento que se impõe pela inventividade. Os enquadramentos realçam a relação entre monstros, humanos e ambiente. A iluminação opta por um amarelo mais suave do sol e pela claridade indireta, quando se está rodeado pela vegetação densa. O colorido de fontes artificiais é bem usado no vale dos esqueletos, onde o paradeiro de uma ameaça é informado apenas por um flash pulsante. É um filme bonito: muitas imagens poderiam virar quadros na parede da sala.

Com exceção do personagem de John C. Reilly, as outras figuras humanas são ocas ou se apoiam unicamente em um objetivo. Algumas têm uma apresentação instigante, como o executivo da Monarch (Goodman), mas são esquecidos quando chegam na ilha. Outros, a exemplo da cientista oriental que não desgruda de outro personagem não conheca, entra muda e sai praticamente calada. Os “mocinhos” interpretados por Tom Hiddleston e Brie Larson criam uma falsa liderança; a segunda ainda inicia uma inverossímil cumplicidade com o macaco gigante. Dos militares, Samuel L. Jackson repete o tipo de papel que mais executou na carreira, transbordando palavrões e sangue nos olhos; atrelado ao contexto do Vietnã, seu Preston Packard fica minimamente interessante. Os subordinados verde-oliva, por sua vez, despertam curiosidade e frustram pelas histórias que não contam.

Kong: A Ilha da Caveira é um eficaz filme de monstro, em batalhas vistosas contra criaturas imprevisíveis e humanos arrogantes. Quem conseguir escapar é porque mereceu.

(Kong: Skull Island,   , 2017) Dirigido por Jordan Vogt-Roberts. Com: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John C. Reilly, Corey Hawkins, John Ortiz, Thomas Mann, Will Brittain, Jason Mitchell.

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Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

Rainha isolada

A chance de um monarca fazer de amigo próximo um servo é tão grande quanto a de um império no auge conceder independência às suas colônias. Graças a um ambiente de burocrático e desdenhoso, o primeiro acontece com a Rainha Vitória (Dench) e Abdul (Karim), um civil indiano que é ordenado a sair de seu país e participar de uma cerimônia diplomática na Grã-Bretanha, simplesmente porque era alto, característica requerida por um oficial colonial.

As motivações da viagem inusitadas. Parece privilégio, mas é uma tarefa subalterna. Abdul e um conterrâneo, que também vai na bagagem, entram no salão, realizam o combinado e vão embora, sem direito a nenhum agrado. Contudo, durante o trajeto, a regra de não fitar os olhos da monarca é quebrada e uma porta se abre ao estrangeiro.

Vitória está idosa, perdeu o marido há trinta anos e conta apenas com abutres, isto é, familiares que só esperam sua morte para assumir o poder. Não possui pessoas de confiança, participa de rotinas fatigantes e espera seu fim. O olhar proibido a tirou do torpor, seguido por quebras de protocolo e costumes. Abdul recebe convites de se juntar a ela, toma a iniciativa em conversas, compartilha conhecimentos e logo se torna um “professor espiritual”.

A história é leve, talvez até demais. A gravidade surge quando não há saída, mas, mesmo assim, arruma-se espaço para algum pequeno gracejo. Em segundo plano, há a submissão da Índia aos britânicos, que pouco é abordada. Nesse contexto, é arriscado amenizar o papel político de Vitória, que afirma desconhecer as ocorrências em territórios além-mar, mas é chamada de Imperatriz da Índia. O peso recai sobre os homens ao redor, especialmente o Primeiro Ministro (Gambon), que pouco aparece.

A primeira hora depois da apresentação se resume à subida social de Abdul e consequente perplexidade dos integrantes da casa real, que é palco para troça, um pouco repetitiva. Os vilões emergem depois, quando a soberana supera os limites na adoção da cultura indiana. Curioso, já que nas refeições quase todos os pratos possuem nomes franceses. A influência estrangeira pode entrar, mas depende do país.

Baseado no título, a divisão de protagonismo entre dois indivíduos é desigual. Quando não é passivo, Abdul se limita ao estereótipo do indiano orgulhoso por sua cultura. Ele é uma figura unidimensional, sem aspirações fora da estadia prolongada. As mentiras que solta têm mais a ver com a reação da rainha do que com sua participação nelas. O colega Mohammed (Akhtar) é insuficiente no papel de escada e sofre interrupção em uma declaração, quando o tom ameaça ser sério. Para piorar, uma família é adicionada sem que haja uma evolução narrativa.

Judi Dench carrega o filme nas costas, através de um personagem que já interpretou, há vinte anos, em Sua Majestade, Mrs. Brown. Transmite desapego e desleixo no início cômico, passando para gentileza e energia. Possui uma cena de maior intensidade quando a trama aperta, em um discurso relativamente longo, que a garantiria em alguma premiação. A fala só é inverossímil na memorização de tantos dados estatísticos, mas não é problema dela.

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha é inofensivo até demais, para um acontecimento descoberto apenas em 2010 – a existência havia sido apagada pela coroa inglesa no início do século XX. Funciona na retratação de época, mas só a visual – não à toa, foi indicada a duas categorias técnicas do Oscar 2018 –, pois na contextualização histórica prefere ser chapa branca.

(Victoria & Abdul,  , 2017) Dirigido por Stephen Frears. Com: Judi Dench, Ali Fazal, Tim Pigott-Smith, Eddie Izzard, Adeel Akhtar.

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